/Por Marjorie Zoppei

A história dos vinhos da região do Douro, em Portugal, tem dois períodos: a.C. e d.C. Ou seja, antes de Constantino e depois de Constantino. Para ser mais claro, estamos falando de Constantino de Almeida, o fundador da Quinta do Crasto, no início do século 20. Mais de 100 anos depois, é Tomás
Roquette
, bisneto de Constantino, ao lado do irmão Miguel, responsável pela gestão da vinícola.

Como todo legado, o do Crasto começou com o vinho do Porto, que ainda é tradição na bodega, mas logo perceberam outros potenciais que tinham em mãos – ou melhor, nos vinhedos. Foi em 1994 que nasceu o projeto dos vinhos tranquilos DOC Douro (Denominação de Origem Controlada). E o Brasil tem papel fundamental nos sucessos de produção e operação, como ele nos conta com exclusividade a seguir.

Se hoje o Douro deixou de ser sinônimo de vinho do Porto e também se assumiu como referência de vinhos finos de qualidade, a responsabilidade é da Quinta do Crasto. Como você enxerga esse movimento exponencial?

Não diria que a Quinta do Crasto é a única responsável por essa referência aos vinhos finos, mas assumo que tivemos um papel essencial nessa mudança. O vinho do Porto é muito importante para nós, pois faz parte de nossa história e, quando projetamos nosso futuro, ele está presente. No entanto, era claro que havia e continua a haver um enorme potencial para, usando a mesma matéria-prima, fazer grandes vinhos tranquilos no Douro.

Com mais de 100 anos de tradição, qual é a história da vinícola?

Os primeiros registros datam de 1615. No início do século 20, a Quinta do Crasto foi adquirida por meu bisavô, Constantino de Almeida, fundador da marca e da casa de vinhos Constantino. Em 1923, após a morte dele, foi o filho Fernando Moreira d’Almeida (meu avô) que se manteve à frente da gestão e deu continuidade à produção.

Em 1981, minha mãe, Leonor Roquette, filha de Fernando Moreira d’Almeida, e meu pai, Jorge Roquette, assumiram a maioria do capital e a gestão da propriedade e, com a ajuda dos filhos, deram início ao processo de remodelação e extensão das vinhas, bem como ao projeto de produção de vinhos DOC Douro. Estamos na quarta geração da família à frente da gestão desta Quinta.

Qual é o volume produzido pela Quinta por ano?

Cerca de 1,5 milhão de garrafas, às quais devemos ainda adicionar por volta de 50 mil garrafas de azeite de produção própria, das mais de 8 mil oliveiras que temos na propriedade. Desse volume, exportamos cerca de 65% para 54 países e os 35% restantes são destinados ao mercado nacional.

Qual é a importância do mercado brasileiro para a vinícola?

Desde 2010, o Brasil se tornou nosso principal mercado, e isso se deve ao trabalho exemplar da Qualimpor, nosso representante exclusivo.

Existe operação parecida em outro lugar do mundo e qual a diferença disso para os negócios?

A Qualimpor faz a distribuição de nossos vinhos em todo o país através de representantes estaduais, que estão em perfeita sintonia com nossa política comercial. Mas esses últimos 25 anos em que vou ao Brasil – de duas a três vezes ao ano – me deram a oportunidade de fazer grandes amigos e que, hoje, são verdadeiros embaixadores de nossa marca.

Quando e como foi decidido expandir as atividades também para o enoturismo?

Há uns oito anos e, devido à grande procura de visitantes, decidimos contratar uma pessoa que ficasse responsável pela recepção desses clientes. Hoje temos uma equipe de cerca de dez colaboradores que recebem mais de 8 mil visitantes anualmente. Estamos trabalhando em um projeto mais abrangente que, acima de tudo, irá transformar a já boa experiência em uma ainda melhor.

Vocês também investiram em reformas arquitetônicas, tanto nas caves quanto nas dependências de hospedagem. O que foi feito?

As mais relevantes foram a recuperação de dois edifícios emblemáticos: os lagares e a adega das Vinhas Velhas. São edifícios construídos em 1923 que foram recuperados, mantendo a arquitetura original, mas equipados com as melhores técnicas de vinificação. Quanto aos quartos disponíveis, temos quatro suítes, mas nosso objetivo é em breve ampliar, com a construção de mais quartos para que assim seja dada resposta à grande procura de hospedagem.

Em julho de 2020, a Quinta do Crasto foi eleita como um dos melhores destinos turísticos, integrando a lista Top 50 World’s Best Vineyards. Como a pandemia afetou a vinícola?

Foi a segunda vez que tivemos esse reconhecimento, o que confirma que
a Quinta do Crasto é um destino para quem gosta de vinhos e boa gastronomia. A pandemia afetou naturalmente o número de visitantes, pois encerramos o enoturismo em março de 2020 e só reabrimos em junho. Felizmente tivemos muita procura, o que ajudou na recuperação.

O vinho Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas já foi nomeado o melhor rótulo da vinícola. Como está o vinhedo hoje?

Todos os nossos vinhos têm tido reconhecimentos, mas o Reserva Vinhas Velhas é altamente conhecido sobretudo pela relação qualidade versus preço. Esse patrimônio das Vinhas Velhas merece nossa atenção, e cada ano atuamos na vinha a fim de mantê-la em sua melhor forma.

Vocês diversificaram os negócios com as linhas Crasto Superior e Flor de Crasto. O que podemos esperar para os próximos anos?

Consideramos nossa gama atual de vinhos bastante completa e abrangente. A linha Crasto Superior expressa na perfeição as características da sub-região do Douro Superior. É um projeto que nos permite vender mais de 250 mil garrafas e o feedback dos consumidores não poderia ser melhor. Fizemos um bom trabalho.

Experimente nossas seleções e viva a melhor e mais abrangente experiência enológica. Associe-se!