/Por Ana Beatriz Miranda

Harmonização entre comida e vinho é uma experiência deliciosa. Mas nem sempre é uma tarefa fácil equilibrar os aromas e os sabores da bebida com o prato. Algumas vezes, um pode se sobrepor ao outro, proporcionando uma sensação não muito boa. Embora existam regras básicas de harmonização, elas não necessariamente devem ser seguidas à risca. 

Principais mitos de harmonização

Peixes e frutos do mar só combinam com vinho branco -> Mito

Existe aquela máxima que vinho branco é o par perfeito de peixes e frutos do mar. É verdade que eles formam um excelente par, mas essa combinação depende de muitos fatores. Na harmonização, mais do que o tipo de alimento, a forma de preparo, os temperos utilizados e os molhos são aspectos importantes a serem considerados.

Os tintos geralmente não são boa escolha para peixes porque os taninos causam um gosto metálico na boca quando em contato com o iodo. Contudo, os peixes mais gordurosos, como salmão e bacalhau, dependendo da receita, ficam incríveis com tintos de Gamay ou Pinot Noir, que têm pouco tanino. Peixes de carne escura, como atum e sardinha, aceitam bem um Merlot ou um Pinot Noir leves e jovens. 

Chocolate com vinho tinto seco -> Mito

Muitos apaixonados cometem esse deslize ao presentear seu amor: uma garrafa de vinho tinto seco para harmonizar com chocolate. A experiência pode não ser tão agradável porque os taninos do vinho deixam um gosto amargo na boca, ressaltado pela doçura do chocolate. Se quiser combinar os dois, o ideal é optar por um vinho doce (ou de sobremesa) de igual ou maior doçura, para equilibrar os aromas e os sabores e aproveitar uma harmonização encantadora. A dica é se atentar para o tipo de chocolate, ao leite, meio amargo ou branco, e escolher a bebida a partir disso. 

Queijos pedem vinho tinto -> Mito

Esse é um dos mitos mais difundidos por quem está começando a apreciar nossa bebida favorita. A clássica noite de queijos e vinhos. Assim como há uma infinidade de tipos de vinhos, existem inúmeros queijos, entre frescos, curados, moles, semimoles, duros e temperados. Por isso, para uma harmonização de excelência, o ideal seria ter variados vinhos para combinar com os diversos queijos.

Tudo depende da acidez, da textura e da intensidade do queijo. Ao contrário do que muita gente pensa, os tintos combinam com apenas alguns tipos de queijos. Se a ideia for aproveitar um tipo de vinho só com vários queijos, melhor optar por um branco bem levinho, de safra recente, ou um espumante brut

Carne vermelha só combina com tinto -> Mito

Sem dúvida, a carne vermelha e o vinho tinto são pares ideais. Se você seguir a dica de ouro de harmonização, que é combinar os dois pela estrutura, dificilmente errará. Carnes mais magras pedem vinhos mais sutis, enquanto as mais gordurosas pedem vinhos mais potentes. Porém, não é só de tinto que vive a harmonização com carne vermelha. Se quiser surpreender seu paladar, vale muito a pena escolher um espumante brut mais encorpado, elaborado através do método tradicional, de preferência, para acompanhar uma carne gordurosa. As borbulhas do espumante “limpa” a gordura do paladar, abrindo o apetite ainda mais.  

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