/Por Ana Beatriz Miranda

O mundo do vinho tem muitos rituais. Embora muitos sejam de efeito mais lúdico do que prático, existem alguns aspectos do consumo que fazem total diferença na experiência. Um deles é a taça para tomar vinho. Estamos falando de uma bebida que evolui constantemente e que se relaciona intimamente com nossos sentidos, sobretudo o olfato e o paladar. Por isso, a taça adequada é importante para que um exemplar atinja seu máximo potencial. 

Da mesma forma que degustar um rótulo a uma temperatura equivocada pode trazer sensações ruins, a taça errada também pode desvalorizar o líquido. É claro que não há necessidade de ter todos os tipos de taças em casa. Mas é interessante ter ao menos os modelos básicos ou a taça ISO (International Standards Organization), desenvolvida para degustações técnicas e que serve como taça coringa para qualquer vinho. 

Quanto aos modelos básicos, é legal ter duas taças para vinhos tintos, uma de cada tipo, uma para os brancos e uma para espumantes e frisantes. Se quiser a coleção completa, pode incluir uma taça específica para rosés e outra para vinhos doces, embora a de vinho branco atenda também aos dois. 

A melhor taça para tomar vinho é a transparente, já que a análise visual também é parte da degustação. As taças de cristal são as mais indicadas por serem mais porosas e ajudarem na liberação dos aromas e sabores da bebida. 

Tipos de taça para vinho

Taça para vinho tinto

Os vinhos tintos são mais intensos em seus aromas e sabores. Eles precisam de mais espaço para respirar. Por isso, a taça indicada é a que possui um bojo grande e largo, a fim de girar o líquido com tranquilidade. As mais comuns são a taça Bordeaux e a taça Borgonha. 

Taça Bordeaux

Com nome que homenageia a região de Bordeaux, na França, a taça Bordeaux é ideal para tintos mais encorpados e estruturados. A sua borda é mais fechada para que os aromas não se dispersem. O formato da taça faz com que o vinho seja direcionado para a ponta da língua, abrindo primeiro os sabores frutados e deixando os taninos para a parte de trás da boca. Ela é indicada para rótulos de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Tannat, Cabernet Franc e todo vinho mais potente que você for apreciar. 

Taça Borgonha

A taça Borgonha celebra os vinhos elaborados nessa mágica região francesa. O formato da taça é de balão, com bojo ainda mais largo do que o da taça Bordeaux. Isso faz com que o vinho se abra mais rapidamente e o sentido do olfato seja mais estimulado. O seu formato guia o líquido para o centro da língua, acentuando a textura do vinho e adiando a acidez. Ideal para exemplares de Pinot Noir e clássicos italianos como Barolo, Barbaresco e Amarone

Taça para vinho branco

O vinho branco deve ser degustado a temperaturas mais baixas. Sendo assim, a taça ideal precisa tem bojo menor para permitir menos troca de calor com o ambiente. A taça de vinho branco tem bojo estreito e haste comprida, se comparada à Bordeaux e à Borgonha, e favorece as notas frutadas da bebida. 

Taça para vinho rosé

No caso dos rosés, que apresentam taninos como os tintos, mas suavidade e frescor como os brancos, a taça mais indicada é uma que seja menor que a dos brancos, mas com maior bojo. Contudo, esses são apenas detalhes. A taça de vinho branco é excelente para rosés. 

Taça para espumantes e frisantes

A melhor taça para a degustação de espumantes e frisantes, vinhos que apresentam borbulhas, é a flûte. Ela permite o desprendimento da perlage, as borbulhas, direcionando a efervescência e os aromas ao nariz. O ideal é que o bojo tenha uma certa abertura e não seja exatamente reto, para que os aromas se abram mais, principalmente os frutados. A taça coupe, taças baixas que dizem ter sido feitas no formato do seio de Maria Antonieta, não são muito boas para espumantes porque dificultam a liberação da perlage, além de dispersar os aromas rapidamente.   

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