/Por Ana Beatriz Miranda

O italiano prosecco é um dos afamados espumantes do mundo – ao lado do pioneiro francês champanhe e do espanhol cava. Todos têm estilo próprio e regras de elaboração: para ser prosecco, as uvas e o vinho devem vir dos territórios do Vêneto ou de Friuli Venezia Giulia, no nordeste da Itália. A Denominação de Origem Controlada (DOC) do prosecco foi criada em 1969, mas muito antes, em 1930, as áreas para a produção começaram a ser demarcadas.

Assim, a reputação se manteria em ascensão. Naquela época, o nome prosecco designava o estilo da bebida, a variedade de uva e também a DOC. Em 2009, foram feitas atualizações nas especificações para minimizar as confusões. A uva prosecco, por exemplo, passou a se chamar glera. Além disso, uma das denominações conquistou o status da mais alta demarcação italiana, Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG), a terra Conegliano Valdobbiadene.

O ápice do prosecco

Conegliano e Valdobbiadene são duas comunas da província de Treviso, no Vêneto. Elas formam a DOCG Conegliano Valdobbiadene, a 50 quilômetros de Veneza, e produzem os proseccos mais aclamados do país. Por lá, a glera é cultivada em colinas com inclinação de 45 graus, de 100 a 500 metros de altitude, e é colhida manualmente. As videiras devem ter rendimento controlado, baixo, resultando em cachos concentrados e uvas impecáveis. A classificação da bebida pode ser brut, extra dry e dry, em ordem crescente de açúcar residual.

É um espumante para ser apreciado jovem, aproveitando o caráter frutado e refrescante, que enche a boca de água – isso é causado pela acidez. Cada microrregião acrescenta um toque particular ao vinho: uns mais leves, outros mais complexos, embora todos sejam harmônicos e elegantes. Cartizze é a área mais nobre, e o terroir privilegiado resulta no soberano dos proseccos, com sofisticação à altura de grandes champanhes.

História de resistência

Mais do que elaborar os proseccos mais desejados do planeta, a pequena Valdobbiadene encanta pelas paisagens, com morros verdejantes cercados de vinhedos, construções charmosas e conservadas. As belezas de Conegliano e Valdobbiadene consagraram-nas Patrimônio Cultural e Natural da Unesco em 2019.

O enoturismo é bastante ativo na região, sobretudo com a Estrada do Prosecco, uma rota para quem quer desbravar os segredos desse espumante. O passeio parte de Conegliano, onde fica a Scuola Enologica di Conegliano GB Cerletti, uma das principais escolas de enologia do país da bota, e segue por diversos pontos turísticos e vinícolas. Fica a critério do viajante fazer o roteiro completo ou curtir apenas os destinos preferidos.

Com baixa densidade demográfica, que se alterou minimamente em 150 anos, Valdobbiadene tem cerca de 11 mil habitantes. Sua história remonta a 40 mil anos atrás, passando por inúmeras disputas territoriais desde o século 12, sendo alvo dos bombardeios pesados da Primeira Guerra Mundial e, enfim, se reerguendo com a viticultura e a produção dos proseccos, líquidos preciosos a ponto de Dom Pérignon nenhum botar defeito. Um brinde à estrela do Vêneto!

Experimente nossas seleções e viva a melhor e mais abrangente experiência enológica. Associe-se!