/Por Ana Beatriz Miranda

Graves é uma das mais faladas sub-regiões vinícolas de Bordeaux. Ela fica na margem esquerda do rio Garonne e tem mais de 50 quilômetros de extensão. Além de nomear o território, Graves também é o nome da Appellation d’Origine Contrôlée (AOC), que se estende por quase toda a área, incluindo lugares célebres como Sauternes e Pessac.  

Muito antes da criação da legislação francesa para vinhos, Bordeaux já gozava de grande prestígio mundial e, por isso,  os produtores locais se precaveram para evitar que outras regiões aproveitassem da fama dos exemplares bordaleses para se promoverem. Sendo assim, em 1855, proprietários dos châteaux locais se reuniram para criar uma classificação dos vinhos de Bordeaux.

Ao contrário de Borgonha, que classifica parcelas especiais de vinhedos como crus, Bordeaux divide os produtores em crus que variam de premiers a cinquièmes crus classés. A grande maioria está em Médoc, situada entre o Atlântico e o estuário do rio Gironde, com exceção de Graves. A classificação de 1855 tem 60 crus em Médoc e um em Graves, o histórico Château Haut-Brion, o único premier cru classé, a mais alta classificação, fora de Médoc.     

O nome Graves é derivado do solo pedregoso local, que possui quartzo branco das geleiras que datam da longínqua Idade do Gelo. Essa sub-região é de onde vieram os primeiros claretes, vinhos tintos de Bordeaux que se popularizaram entre os ingleses, na Idade Média. São mais intensos que o vinho rosé, mas menos potentes que os tintos. É uma bebida intermediária, feita a partir da fermentação de uvas tintas e brancas misturadas. Até hoje o povo britânico chama o vinho tinto bordalês de clarete. E a primeira menção registrada a esse vinho é justamente de Château Haut-Brion.     

As uvas mais cultivadas em Graves são as tintas Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Petit Verdot e Malbec, e as brancas Sémillon, Sauvignon Blanc, Muscadelle e Sauvignon Gris. A maior parte dos rótulos lá elaborados é de tintos.

A produção dos vinhos de Graves inclui grandes tintos, brancos requintados e vinhos doces icônicos. A denominação os divide em Graves Rouge, Graves Blanc e Graves Supérieures. Os tintos classificados como Graves Rouge são geralmente frutados, estruturados, complexos, robustos, com ricos aromas de frutas vermelhas e taninos macios.

Os brancos são extremamente elegantes, frescos e vivos, com aromas frutados e florais. Muitos amadurecem em barricas de carvalho, adquirindo características ainda mais peculiares. A classificação Graves Supérieures engloba os vinhos doces, de colheita tardia, feitos principalmente com a uva Sémillon, Sauvignon Blanc e Muscadelle. São exemplares autênticos, sofisticados e nobres, com perfeita harmonia entre dulçor e acidez.  

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