/Por Daniel Perches

Quando falamos em vinhos brancos, é natural pensar em duas uvas: chardonnay e sauvignon blanc. E não é para menos; afinal de contas, além de ser as mais plantadas (entre as brancas, é bom frisar), são muito versáteis em aromas, sabores e, principalmente, harmonizações. Isso faz com que o mundo inteiro as conheça e que habitem prateleiras de lojas, supermercados e restaurantes de todo o planeta. Mas nem só dessas duas uvas vive o universo dos vinhos brancos. É fato que há uma quantidade enorme de variedades, mas uma que vem despontando e se destacando no cenário internacional é a riesling.

Identidade monarca

Não há unanimidade em relação à origem, pois sabe-se que pode ter nascido na Alsácia (França), Alemanha e Áustria. Independentemente do berço, o fato é que a uva tem características únicas e peculiares, a ponto de colocá-la no posto de “bola da vez” entre os vinhos brancos. O principal atributo que podemos destacar é a acidez – muito presente! – e o perfil aromático, lembrando toques de flores e frutas brancas, cítrico, mineral e o que chamam de “petroláceo”, ou seja, algo que lembra borracha (mas calma, é muito agradável e interessante de se perceber no vinho). Um conjunto que não se encontra nada parecido em outra uva branca. Por conta disso, os melhores vinhos feitos com ela costumam ser os varietais, sem a combinação com nenhuma outra cepa.

Vertentes distintas

Vale destacar que a riesling possui duas variações: renana e itálica, sendo a primeira considerada de maior qualidade e a segunda, de menor grau de complexidade. Sua versatilidade não para por aí, pois os vinhos elaborados a partir da casta riesling podem ser secos, meio doces ou bastante doces. Entre os secos também há uma vasta gama de tipos que podem ser produzidos, variando-se o grau de açúcar residual (aquele proveniente da própria uva).

Não é difícil encontrar produtores, principalmente alemães, que fazem três ou quatro vinhos com a mesma uva, mas com um leve toque adocicado a mais. Um capítulo que merece toda a nossa atenção é dos vinhos doces. Basicamente, existem dois processos bastante distintos para a produção, e cada um com sua beleza: o primeiro é o de deixar a uva congelar antes da colheita, sendo conhecido como “eiswein” – ou vinho de gelo.

Para essa bebida, as uvas são prensadas logo que colhidas, como se faz tradicionalmente com todos os vinhos, com a diferença que esse ficará muito mais concentrado, já que haverá menor quantidade de água. Os melhores exemplares de eiswein são encontrados no Canadá, graças ao clima frio e às constantes geadas, mas é possível achá-los na Alemanha e em alguns outros países que possuem clima típico.

O outro é quando ocorre o que chamam de “podridão nobre”: a uva é atacada por um fungo nomeado Botrytis cinerea, que fura a casca e se alimenta da água de dentro da uva, deixando-a desidratada e exaltando os açúcares presentes em sua composição. O que parecia ser uma praga que devastaria o vinhedo foi então bem utilizada pelos enólogos, e o resultado é um vinho superespecial, com aromas, sabores e textura ímpares. Por se tratar de um fungo que ataca o vinhedo, para esse tipo de cultivo é necessário muito conhecimento e cuidado, o que torna o vinho ainda mais raro.

Versatilidade de harmonizações

Para fechar com chave de ouro, os vinhos mais adocicados e sem passagem por barrica podem ser servidos como aperitivos, acompanhando frutos do mar ou pratos leves. Já os vinhos que estagiam em barricas e que se tornam mais complexos são ótimos para servir com comidas como carne de porco, apimentadas e exóticas. E, por fim, os doces podem ser acompanhados de sobremesas ou, como muitos adoradores desse tipo de vinho dizem, simplesmente para meditação.

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