/Por Ana Beatriz Miranda

A uva Aglianico é uma variedade tinta muito cultivada no sul da Itália, com destaque para as regiões de Basilicata e Campânia. Embora ela não seja tão conhecida em outros países, figura entre as três mais importantes castas italianas, ao lado da Sangiovese e da Nebbiolo. Inclusive, ela é chamada também de Nebbiolo do Sul.

Sem dúvidas, existem similaridades com a Nebbiolo. Ambas são de amadurecimento tardio, apresentam características que refletem o terroir, envelhecem bem em carvalho, são ricas em taninos e acidez. Porém, a uva Aglianico é muito mais exigente. Um vinho derivado dela ou é incrivelmente poderoso ou é ruim, sem meio termo. Já a Nebbiolo é mais flexível, originando grandes vinhos, como o Barolo, mas muito outros rótulos medianos. 

Origem da uva Aglianico

Alguns estudiosos afirmam que o nome Aglianico, que se pronuncia aliánico, significa elleanico, helênico, em português, que quer dizer “o que vem da Grécia”. Acredita-se que a Aglianico tenha chegado à Itália pelos gregos e fenícios, onde encontrou condições ideais para prosperar. Uma segunda vertente de pesquisadores acredita que o nome dessa uva significa “esplêndido”, uma derivação da palavra grega aglaós, por causa da cor intensa do vinho feito a partir dela.

Quanto ao terroir, a Aglianico se beneficiou muito dos solos vulcânicos de Basilicata e Campânia, atingindo um potencial surpreendente. Inclusive, essa variedade escapou da praga filoxera, que assolou os vinhedos europeus no século 19, justamente pela origem vulcânica dos solos, que são ricos em enxofre e não permitiram a proliferação da epidemia. Assim, os vinhedos são plantados em pé franco, diretamente no solo, sem os porta-enxertos que foram a solução dos produtores para as plantas destruídas pela filoxera. Como as raízes da planta-mãe têm contato direto com a terra, as uvas se tornam mais consistentes, saborosas e ricas. 

Antigamente a Aglianico era muito usada em cortes, por ser uma uva considerada “dura”. Porém, produtores do sul da Itália e de outros países produtores que ousam cultivá-la, como Austrália e Estados Unidos, têm feito varietais de grande sucesso. São vinhos fortes, indomados, não tão macios, mas extraordinários para quem enxerga valor em suas características peculiares. São bebidas para paladares mais aventureiros, receptivos e que se interessam por tipicidade e a mais pura expressão da uva.  

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