/Por Carolina Almeida

A Ilha de Páscoa, no Chile, é considerada o local habitado mais isolado do mundo. O pedaço de terra mais próximo é a costa de Valparaíso, também no Chile, 3.500 quilômetros longe. Mas, quando se trata de vinho, as distâncias parecem se encurtar. É o que pensam Álvaro Arriagada, Poki Tane Hao Hey e Fernando Almeda, desbravadores da região. Eles serão os primeiros a plantar na ilha de Rapa Nui (nome nativo da Ilha de Páscoa) 2 hectares de vinhas, metade chardonnay e metade pinot noir, na região chamada Pu Ika ta’e Hape.

“Rapa Nui tem clima subtropical e solos vulcânicos e é influenciada pela corrente fria de Humboldt. Águas geladas e temperaturas menos extremas, com nível baixo de umidade, indicam que o crescimento de uvas para vinificação pode ser um sucesso”, contou Arriagada à revista inglesa Decanter.

A ideia de desbravar a região surgiu depois que, durante uma trilha de trekking desde a base do vulcão até a cratera interior, a equipe encontrou videiras selvagens entre as rochas vulcânicas. Se tudo sair bem, a primeira edição do vinho de Páscoa deve ficar pronta em dois anos. “Estou entusiasmado com esse desafio, principalmente considerando o material vegetal desconhecido e as condições climáticas e de solo extremas, que geram incerteza técnica”, completa Fernando.

Uvas do vulcão

Pesquisadores locais concluíram que as vinhas foram introduzidas em Rapa Nui por colonos franceses do Taiti, na Polinésia Francesa. As primeiras mudas foram plantadas dentro do vulcão Rano Kau com bananas, mangas e abacates. Oferecendo proteção contra o vento na ilha, o vulcão proporcionou condições adequadas para o cultivo das frutas.

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