/Por Daniel Perches

O mundo dos vinhos é rico em diversidade, formas de produção, países produtores e várias outras especificações que, de certa forma, dão todo o charme à bebida. Ao mesmo tempo, cada garrafa vem junto a um monte de siglas, nomenclaturas, definições e informações que, muitas vezes, podem nos deixar confusos – em vez de ajudar a entender.

É o caso dos vinhos que têm a inscrição “Reservado”, que habitam as prateleiras de praticamente todos os pontos de venda. Mas, afinal, o que define essa classificação? Seria ela um parente do “Reserva”?

Palavras semelhantes, universos distantes

Embora as nomenclaturas sejam muito parecidas (e conta a história que isso foi proposital), não há nenhuma relação. Um vinho Reservado é um vinho simples, também chamado de gama de entrada, e que tem, na maioria das vezes, um alto volume de produção, pouco ou nenhum contato com madeiras – amadurecendo em grandes barricas de carvalho ou em tanques com chips ou duelas, que são grandes ripas inseridas nos reservatórios para que se obtenha os aromas que a madeira aporta.

Na prática, a palavra Reservado não garante nenhum tipo de tratamento superior em uma vinícola, sendo só uma questão de marketing para que as bodegas possam diferenciar seus rótulos. Porém, é importante ressaltar que há muitos Reservados de ótima qualidade no mercado, especialmente os que são feitos por grandes produtores do Chile.

Já os vinhos Reserva, sim, têm um tratamento superior e que vai desde o campo, na seleção das parcelas de plantação que serão dedicadas à bebida, até o processo de elaboração e amadurecimento do vinho na cantina. Alguns países, como a Espanha, têm regras bem rígidas para que os rótulos possam ser listados como Reserva e controlam essa informação de forma intensa, garantindo que o consumidor saiba que está realmente diante de algo especial.

Para ter uma ideia, no caso dos tintos, o período mínimo de envelhecimento é de 36 meses, sendo 12 deles em barris e o restante em garrafa. Para brancos e rosados, o vinho deve envelhecer por 18 meses, sendo seis deles em madeira e os demais em garrafa.

Há também nações produtoras com uma legislação em relação aos termos Reserva, Grand Reserva e alguns outros nomes, mas sem tanta rigidez quanto a Espanha. Em todos os casos, é a reputação do produtor que está em jogo: ao determinar que seu vinho pode ser um Reserva, ele está atestando a qualidade do próprio produto, o que será posteriormente verificado e confirmado (ou não) pelos consumidores.

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