/Por Ana Beatriz Miranda

O espumante é o tipo de vinho mais relacionado a celebrações. Com suas borbulhas festivas, ele é um convite a comemorar das menores às maiores conquistas, nem que seja simplesmente dar vivas ao dia que chegou ao fim. Claro que cada ocasião pede um espumante diferente. Existem vários à disposição, das mais diversas regiões. 

Alguns, aliás, são conhecidos por seus nomes específicos, como o champanhe, o cava e o prosecco. Esses três são elaborados em denominações de origem e expressam personalidades próprias, de acordo com as regras de produção. Porém, para os espumantes em geral, é o método de elaboração que determina o estilo. Todo espumante é feito a partir de um vinho base, que é fermentado como qualquer outro. As variações acontecem posteriormente, na segunda fermentação.   

Métodos de elaboração do espumante

Método Champenoise ou Tradicional ou Clássico

O método tradicional ou clássico é chamado de champenoise apenas em Champagne, onde surgiu. Ele gera espumantes mais estruturados, complexos e encorpados. Nele, o vinho base é engarrafado e a segunda fermentação é feita dentro da própria garrafa. Antes do engarrafamento, é acrescentado o licor de tiragem ao vinho base, que é uma mistura de álcool, açúcar e leveduras.

Aí, sim, a bebida vai para as garrafas, vedadas primeiramente com tampas de metal. Assim começa a segunda fermentação, responsável pela formação das borbulhas. As garrafas ficam de cabeça para baixo, inclinadas em cavaletes, e são giradas para que as borras e os sedimentos se depositem no gargalo. Esse processo se chama remuage e pode durar até dois meses. 

Depois disso, acontece o dégorgement, em que o gargalo das garrafas é congelado e as tampas são retiradas. As borras e os sedimentos são eliminados junto. Para reparar a perda de volume do espumante, produtores acrescentam o licor de dosagem, vinho base, açúcar e gás carbônico, aproveitando também para determinar a classificação do espumante quanto à doçura. Então as garrafas ganham suas rolhas e ficam prontas para o consumo. O champenoise é o método do champanhe. Quando é usado em outros lugares, é chamado de tradicional ou clássico. Também é o método do espumante cava, elaborado na Catalunha, Espanha. 

Método Charmat

No método charmat, o mais utilizado do mundo, a segunda fermentação do vinho base é feita em tanques de aço inoxidável, as autoclaves, com pressão e temperatura controladas. Acrescenta-se novas leveduras e açúcar e o vinho é fermentado novamente, até adquirir a perlage, nome técnico das borbulhas. Depois, as leveduras e as borras resultantes são retiradas e o espumante é engarrafado. É um método muito mais rápido do que o tradicional. Como não passa muito tempo em contato com as borras, o espumante feito pelo método charmat é mais fresco, leve e frutado, com ótima acidez. São os espumantes ideias para serem apreciados em dias quentes.   

Método Asti

O método asti é o mais diferente. Ele é usado, geralmente, na elaboração de espumantes feitos com a família de uvas Moscato. Trata-se de uma variação do método charmat, mas, ao contrário dos outros, traz apenas uma fermentação. Todo processo fermentativo libera gás carbônico, que forma as bolhas. Porém, nos vinhos tranquilos, sem a presença do gás, ele evapora totalmente. No método charmat e tradicional, a segunda fermentação resulta em novas borbulhas. O que acontece no método asti é que parte do gás carbônico da primeira fermentação é preservado.

Ele surgiu no Piemonte, na Itália. O mosto das uvas Moscatel passa pela fermentação até atingirem de 6% a 10% de teor alcoólico. Aí ela é interrompida — com o gás carbônico que sobrou em forma de bolhas, e o vinho é filtrado e engarrafado. São espumantes naturalmente adocicados, já que essa é uma característica da uva Moscato, frescos e saborosos.  

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