/Por Rafael Tonon

Ao que pese a tradição de quase dois séculos de enologia e seis gerações de legado do vinho do Porto para o mundo, carregar o sobrenome Niepoort não pode mesmo ser uma tarefa fácil. Fundada em 1842 por Franciscus Marius van der Niepoort, a adega da família de origem holandesa se transformou em uma marca que ajudou a dissipar um dos primeiros vinhos do mundo com denominação de origem.

Quando Dirk Niepoort (quinta geração da família) decidiu se unir ao pai, Rolf, nos negócios, tinha pouco mais de 20 anos e uma vaga certeza de que o vinho seria seu destino. Mais novo, tentou escapar ao seguir os estudos em economia em St Gallen, na Suíça, mas um estágio o colocou novamente no caminho da enologia, e então voltou a Portugal para trabalhar na Niepoort.

Agora, antes de completar 60 anos, vê a história se repetir com o filho Daniel, a somar-se a ele na administração da empresa como responsável pela enologia das quintas. Uma história que se repete, como o próprio ciclo da vida.

Sucessão viticultora

Assim como o patriarca, Daniel também saiu de Portugal para estudar e entender se o vinho era paixão ou imposição do contexto familiar. Também na Suíça, cursou vitivinícola e enologia na Universidade de Agro-Vet Strickhof e passou a focar seu interesse nas vinhas. Acompanhou diversas vindimas para conhecer melhor as uvas, tanto na França (desde a Borgonha até as Côtes Catalanes) e na Itália quanto na Argentina e na África do Sul.

Depois de quatro anos, assumiu em 2012 as operações que o pai iniciou em Mosel, na Alemanha, antes de voltar a Portugal e dividir com Dirk o comando da Niepoort. Juntos, começam uma nova fase na vinícola com o lançamento da parceria comercial com a empresa de taças Zalto, a aposta em rótulos naturais e a abertura ao público da adega em Vila Nova de Gaia – a famosa cidade onde os Portos envelhecem.

Ao contrário das outras caves mantidas no cais de Gaia, o local vai funcionar como um showroom e espaço para eventos privativos e degustações. É uma forma de manter a Niepoort no patamar de grife. “Criamos um caminho próprio e, com isso, ganhamos respeito do mercado. Não foi estratégia, mas sim algo natural baseado no vinho, no passado
e, principalmente, em acreditar no futuro”, explica. A sexta geração que Daniel agora representa é justamente a maneira que a Niepoort tem de conjugar tradição e inovação.

Nova era

A chegada do primogênito de Dirk quer mostrar esse sopro de frescor na marca. Ele é, entre outras atribuições, o responsável por criar ligação com a nova geração de produtores e consumidores, focando também nos vinhos leves e fáceis de beber em que a casa tem apostado.

Há três anos, na Bairrada, foi criado o DrinkMe, o primeiro rótulo do “selo” NatCool, que incorpora os vinhos com essas parcerias, com mais de 20 produtores portugueses, mas também de Espanha, Alemanha, Chile e Argentina.

Daniel também tem tentado fazer vinhos “mais a sua maneira”, como diz, deixando claro o encantamento por aqueles com menos intervenções, como os que fez em Maisel, sob a marca Fio Wines, a menina dos olhos dos Niepoort na Alemanha. “Eu trabalhei muito com pessoas do vinho natural, mas também com os vinhos tradicionais. Há boas coisas nos dois mundos, e quero uni-los na Niepoort”, explica.

O NatCool tem sido um projeto do coração dele, pois consegue justamente seguir o que acredita. “Nós tivemos tempos de muita madeira, muito álcool. E o NatCool é o oposto: ele quebra o paradigma de que tem de ser assim para ser bom. Queremos mostrar que é possível fazer ótimos vinhos com menos álcool, menos influência técnica, mas deliciosos de beber.”

Planejamento

Dirk diz que espera que o filho use a tecnologia, mas ao mesmo tempo se valha do conhecimento empírico que a empresa e os colaboradores construíram. Daniel é como uma startup incubada em uma grande empresa, numa analogia ao atual mercado. O papel dele é visitar as vinhas da Niepoort do Douro ao Dão, conversar com os enólogos, ajudar a fazer os lotes, dar ideias para novos vinhos, sugerir maneiras distintas de vinificar…

“E se não filtrássemos? E se fizéssemos de outra forma? Eu estou aqui para ajudar, mas também questionar. O problema é que, se algo sair mal, a culpa vai ser minha”, ri. Esse espírito desafiador de bancar as próprias escolhas está no DNA da Niepoort – ou, melhor dizendo, dos Niepoort. Como esclarece Dirk: “Eu nunca quis saber de ‘demandas’ [do mercado]. Nunca quis fazer algo pensando em alguém, muito menos em jornalistas”.

Quando começou, há 15 anos, o que ele chama de “a moda dos rótulos caros, de muita madeira, muito cabernet, muito merlot”, a Niepoort teimou em seguir um caminho diferente. “Criei vinhos vistos como intransigentes”, acrescenta. No início dos anos 1990, quando o Douro era conhecido apenas pelo vinho do Porto – embora já houvesse o Barca Velha e o Quinta do Côto –, Dirk iniciou a linha DOC Douro para fazer também vinhos de mesa durienses.

Em 1993, chegou ao mercado o Redoma tinto, que transformou a produção vinífera na região e mudou o panorama em Portugal. O futuro dos vinhos portugueses, para ele, é promissor.

“Portugal tem um tesouro que está agora a aparecer: as castas [autóctones], as vinhas velhas e os hábitos que mantivemos”, aposta. “Justamente quando o Daniel entrou, veio a pandemia e foi uma das melhores coisas que nos aconteceram, pois passamos mais tempo juntos.

O fato de ele estar aqui ajudou a perceber mais rapidamente o que é a Niepoort e aonde queremos e podemos chegar”, conclui Dirk. Daniel, diz ele, tem carta-branca para inovar. Talvez até fazer o próprio Redoma e comprovar, à moda de Dirk, que boas ideias não ficam em uma redoma.

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