/Por Breno Raigorodsky

Vinho faz parte da mesa, não apenas na taça, mas também nas conversas. Hoje em dia, todo mundo que acompanha conteúdos sobre a bebida – nesta revista ou em tantos outros veículos especializados – tem alguma coisa a dizer sobre. As opiniões vão se formando, a cultura idem. Para que suas rodas de bate-papo não caiam no enochatismo, elencamos alguns conhecimentos de folhetim que valem, principalmente, para aumentar o respeito que o vinho merece.

#1 As uvas francesas mais conhecidas existem atualmente graças ao Chile

Cabernet sauvignon, merlot, malbec, pinot noir, carmenère, sauvignon blanc e semillon: todas elas foram praticamente dizimadas pela filoxera, nos anos de 1860. Mas, por acaso, em 1851, um produtor chileno, Silvestre Ochagavía, estava recebendo assessoria de especialistas franceses que trouxeram as uvas para experimento no país andino – o que salvou as espécies. Mas por que a praga nunca chegou ao Chile?

Dizem que os ventos frios que sopram do Oceano Pacífico e da Cordilheira dos Andes formam uma barreira natural muito eficaz. Ou seja, como já disseram, a viticultura chilena é um santuário dessas uvas, que depois, em torno dos anos 1910, puderam ser novamente plantadas na Europa, com a ajuda da técnica de enxerto – que é usada até hoje na proteção contra essa praga.

#2 A videira é uma das plantas mais mutáveis do planeta

Capaz de variar geneticamente por caminhos desconhecidos, ela reproduz fundamentalmente suas propriedades por meio das sementes. E, como vem sendo cultivada desde a mais remota antiguidade, ganhando novas variedades por onde passa, parece improvável ter apenas uma origem. Todas as formas de catalogar as cepas na época de Charles Darwin, em torno de 1850, mostravam-se ineficazes, seja pelo formato e tamanho da baga, seja pela folhagem, lisa ou rugosa.

Isso porque, se antes uma vinha produzia bagos redondos e pequenos, logo passou a gerar bagos ovais e grandes, mostrando que a quantidade de água que chega às raízes, o tipo de nutriente, o clima e mesmo o que está sendo cultivado na vizinhança pode interferir na planta. Isso faz com que tenhamos catalogadas mais de 8 mil cepas vitiviníferas, muito além daquelas que frequentam sua adega.

#3 O melhor vinho eleito por uma revista pode nem ser citado por outros especialistas

Considerado o melhor vinho do ano de 2020 pela prestigiada revista americana Wine Spectator, o Ygay Gran Reserva Especial 2010, da tradicional vinícola espanhola Marqués de Murrieta, de Rioja, nem aparece na lista da igualmente prestigiada revista inglesa Decanter, que deu nota máxima em 2020 a 17 amostras – 15 francesas, uma italiana e uma americana. Alguém aí entende mais de vinho do que o outro? Isso prova que essa “eleição do melhor do mundo ou do ano” tem muito do que o degustador espera e o enredo de cada uma.

#4 Uma nobre proibiu que a uva gamay fosse plantada em sua terra natal, a Borgonha

A primeira Denominação de Origem (D.O.) de que se tem notícia foi um decreto lavrado pelo grande Philipe Le Hardy, duque da Borgonha e
príncipe da França no século 14, também criador do Hospice de
Beaune, o primeiro hospital para pobres de que se sabe. Mas também foi o algoz que expulsou a gamay daquele território.

Irritado com a preferência dos viticultores da Borgonha pela cepa que substituía a pinot noir – com grandes vantagens em litragem, além de resistência às pragas e às mudanças climáticas, mas não em qualidade –, ele decretou que não se plantaria mais a dita substituta em solo nobre, sendo permitida apenas a partir de Mâcon. Por mais bizarra que possa parecer, é possível dizer que graças a esse nobre temos ainda os grandes vinhos tintos da Borgonha, considerados por muitos os melhores e mais longevos da história.

#5 O champanhe existe por causa das garrafas

Champanhe é uma Denominação de Origem francesa, que estabelece com rigor uma série de regras, incluindo quais, como e onde devem ser plantadas as uvas que servirão de matéria-prima para a confecção, de que forma as videiras devem ser plantadas e tantas outras considerações. Mas, para o famoso espumante poder viajar com menos risco de perda e conquistar desde a corte do Império Russo até Hollywood, nos anos entreguerras, foi preciso que a indústria inglesa de vidro conseguisse criar uma garrafa e os negociantes holandeses consagrassem um método de fecho estável para suportar a pressão do gás carbônico. Antes deles, a bebida não resistia ao percurso em burros de carga nem carruagem. Logo ia explodindo em série, causando acidentes importantes e colocando vidas em risco.

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