/Por Daniel Salles

A companhia é a soma de duas tanoarias nascidas em Cognac. A Seguin é de 1870; a outra, de 1838. Em 1958, o famoso conhaque Rémy Martin, sediado na mesma região, arrematou uma fatia da Moreau – a bebida, também conhecida como brandy, não dispensa a maturação em contato com a madeira, como qualquer uísque. Não muito depois, a tanoaria adquirida incorporou a outra.

Em 1970, nova reviravolta: o Rémy Martin virou o único dono da Seguin Moreau, atualmente nas mãos do grupo Oeneo, que também fabrica rolhas. A aposta nas barricas para vinhos finos começou na década seguinte. São parte considerável do negócio, e a meta é que continuem a ser. A principal ameaça ao plano talvez seja esta: a crescente indiferença de parte dos consumidores pelos vinhos amadeirados.

Sabor amargo

Em longo prazo, é comparável às geadas que têm castigado os vinhedos europeus nos últimos invernos e impactado toda a cadeia, da qual a Seguin Moreau, obviamente, faz parte. Diretor comercial da companhia, Jérémie Le Duc minimiza os riscos do crescente desinteresse pelos vinhos maturados em carvalho, constatado, globalmente, de 15 anos para cá. “Menos carvalhos e barricas maiores são uma tendência”, disse ele em entrevista à crítica de vinhos Jancis Robinson.

“Mas é uma tendência suave e que não começou ontem. Alguns produtores tentaram parar completamente de usar carvalho, mas a maioria voltou atrás.” As razões que elencou para o adeus às barricas de madeira: preço, modismo e o nariz torcido dos influenciadores do meio. Ele revelou que aumentou a procura por recipientes com capacidade para mil litros ou mais, bem maiores do que os tradicionalmente usados – proporcionalmente, nos menores, o vinho tem mais contato com a madeira.

Contou ainda que cresceu o interesse por espécies como acácia e castanheiro, que já foram usadas pela enologia no passado. “Diria então que sim, menos carvalho, mas também carvalho diferente”, ponderou. “Alguns enólogos e consultores querem, gostam e precisam de carvalho (para dar estrutura, oxigênio, taninos e um toque redondo ao vinho), mas não dos aromas do carvalho.” Registre-se que, embora o interesse pelas barricas tradicionais da companhia esteja diminuindo em regiões viticultoras consagradas, ele está sendo compensado por países como Polônia e Suécia.

Antigos costumes

Vale lembrar que, até a virada do século, muitos produtores adoravam se gabar da quantidade de barricas adquiridas a cada ano, por cifras vultosas. O orgulho, de maneira geral, parece ter sido deslocado para os tanques de concreto, que lembram ovos gigantes. Eles também permitem a oxigenação, porém não interferem no sabor. Tanques de argila e até as ancestrais ânforas são outras opções nas quais parte dos produtores tem apostado.

“O problema é usar madeira só porque se usa”, opina Luiz Barbui, diretor de produtos da vinícola Guaspari. “Um vinho com pouca acidez, sem muitas notas frutadas e baixo teor de taninos não tem estrutura suficiente para envelhecer em barrica. No fim, vai apresentar somente as características dela, como notas de baunilha e coco.” Todos os tintos da vinícola paulista são maturados em barricas de carvalho francês. O cabernet franc 2015 da linha Terroir, por exemplo, descansou por 26 meses em recipientes do tipo e outros 22 meses em garrafa.

“É um tipo de vinho que tem estrutura de sobra para incorporar a complexidade da madeira com equilíbrio”, completa Barbui. O único vinho da Guaspari maturado somente em tanques de aço inox, por seis meses, é o refrescante sauvignon blanc Vale da Pedra 2019, cuja acidez é bem marcante. Já o sauvignon blanc Vista do Café 2019 é a soma de dois processos. Metade dele descansa ao longo de seis meses em barricas de carvalho francês e a outra, em um daqueles tanques de concreto.

“Os consumidores que dizem se opor a vinhos amadeirados na verdade simplesmente preferem rótulos menos estruturados”, afirma Barbui. À frente da equipe de enologia da vinícola Salton, com sede na Serra Gaúcha, Gregório Salton concorda. “A procura por produtos mais frutados cresceu, mas em nenhum momento notamos que os consumidores estão fartos de vinhos que tiveram contato com a madeira”, sustenta. “O desinteresse se restringe, principalmente, aos formadores de opinião desse ramo.”

Dos vinhos da Salton, só os da linha Intenso, e não todos, são maturados longe da madeira, dentro de tanques de aço inox. Convém explicar que vinhos também podem descansar em recipientes do tipo na companhia de aduelas, que nada mais são do que as ripas que formam uma barrica, ou de peças menores. “No passado, a madeira chegou a ser usada para mascarar defeitos do vinho. Hoje, para a maioria dos consumidores, é sinônimo de um toque interessante”, conclui o enólogo. Pelo sim, pelo não, a Salton adquiriu no ano passado dois tanques de concreto. Foram usados, até agora, na produção de apenas um tannat, a título de experimentação.

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