/Por Tânia Nogueira

Boa parte das regiões vinícolas produz vários tipos de vinho: tintos,
brancos, rosés, espumantes, vinhos de sobremesa… Na maior parte das vezes, no entanto, cada área se destaca por apenas um estilo. O foco em uma categoria em detrimento de outra supõe-se atrelado à vocação do terroir, às condições de clima e de solo que favorecem que um local produza espumantes melhores do que vinhos tranquilos, tintos melhores do que brancos…

Outro fator, no entanto, é crucial na escolha do que produzir: o mercado. Por mais que o terroir seja igualmente favorável para dois ou mais tipos de vinhos ou que numa região grande haja parcelas com diferentes vocações, é comum os produtores focarem no que vende mais. Assim como é usual as importadoras trazerem para o Brasil só (ou quase só) os tipos de vinho que mais saem.

Tinto seco, no geral, é o que o consumidor médio de vinhos finos procura. Isso acontece mesmo na Europa, onde supostamente o terroir manda. Muitas regiões europeias famosas por seus grandes tintos, como as francesas Bordeaux e Vale do Rhône, as portuguesas Douro e Dão ou a espanhola Rioja, também produzem ótimos brancos secos. Só que pouco ouvimos falar deles.

Nem sempre foi assim

Houve épocas em que os brancos secos tinham prestígio. “Nos anos 1960, 50% das vinhas de Bordeaux eram de castas brancas”, conta Jean Jacques Dubourdieu, diretor-geral do grupo Denis Dubourdieu Domaines. “Aos poucos, as tintas aumentaram, atingindo agora 92% da superfície.” Isso, porém, começa a reverter.

“Uma revolução invisível”, como classificou a revista inglesa The Drinks Business sobre o que está acontecendo com os brancos secos de Bordeaux. O Château Haut-Brion Blanc, de Pessac-Leognan, em Graves, o bordeaux branco mais desejado, custa por volta de 1.000 euros na Europa. No Brasil, raramente se encontra. São produzidas cerca de 600 caixas por ano.

De guarda, é um corte de semillon e sauvignon blanc, com passagem por carvalho, como a maioria dos tradicionais de Graves, considerado o melhor terroir para brancos na região.

A revolução, no entanto, acontece principalmente em Entre-Deux-Mers e em pequenas parcelas por toda a região de Bordeaux, onde hoje se produzem vinhos mais jovens e frescos, com pouca ou zero passagem por madeira, muitos deles varietais de sauvignon blanc.

Mas pouco se ouve a respeito deles aqui no Brasil. O mesmo acontece com ótimos exemplares do Vale do Rhône. “Poucos sabem que existe Châteauneuf-du-Pape branco, por exemplo”, diz Paulo Brammer, sócio-fundadorda Eno Cultura. “E quase ninguém conhece Condrieu, uma apelação do Rhône Norte que só produz brancos. São vinhos de alta qualidade.”

Movimento em outras denominações

Na Espanha, os brancos também começam a se recuperar. “Em Rioja, por exemplo, a área plantada com uvas brancas passou de 25%, em 1985, para apenas 6% em 2012”, diz Brammer.

“Mas, com o Plano Estratégico Rioja, que desenvolveu nova política para os vinhos brancos, permitindo seis novas castas brancas, em 2007, a superfície das vinhas brancas cresceu 15%, atingindo um total de 5.789 hectares na colheita de 2016. As adegas, por sua vez, lançaram linhas de brancos de elevada qualidade, às quais os críticos se referem como ‘a maior revolução do vinho nos últimos anos na Espanha’.”

A região costumava produzir brancos oxidados, com longa passagem por madeira, como o Viña Tondonia Gran Reserva Blanco, de Bodegas López Heredia, que amadurece por dez anos no carvalho e mais uns tantos na garrafa. Mas eles não eram acessíveis, nem no preço nem no paladar. Talvez por isso são um tanto esquecidos.

Na opinião do consultor de vinhos Carlos Cabral, os da casta encruzado, da região portuguesa do Dão, costumam se encaixar nessa categoria. Segundo ele, são complexos para quem entende mais do assunto. A uva, no entanto, também é usada em cortes com outras castas regionais, como a malvasia ou a bical, produzindo vinhos frescos e acessíveis. É o caso do Lagares de Penalva (66 reais, na Sociedade da Mesa).

“O Dão sempre produziu bons brancos”, diz Tiago Locatelli, sommelier da importadora Decanter. “Só que não com o apetite comercial de hoje. Eram consumidos só regionalmente.” No entanto, tradição nem sempre
é tudo. Mesmo na Europa, regiões que hoje fazem brancos de qualidade e preço elevados há poucas décadas sequer engarrafavam esses vinhos.

É o caso do Douro, que sempre produziu uvas brancas, como a viosinho, a gouveio e a rabigato, em geral, misturadas num mesmo vinhedo. Contudo, elas eram usadas na produção de vinho do Porto. Só nos anos 2000, com a demarcação da denominação de origem controlada Douro, é que os produtores locais passaram a se dedicar de verdade aos brancos secos. E hoje eles são maravilhosos.

vinho
Chile
Região: Valle del Maule
2019 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Aves Del Sur Sauvignon Blanc 2019
R$ 55,10
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vinho
Espanha
Região: Galicia
2016 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco La Casa De Las Locas Godello 2016
R$ 159,00
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vinho
Alemanha
Região: Franken
2018 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Divino Cuvée Weiss 2018
R$ 72,75
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vinho
Portugal
Região: Minho
2017 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Trevo D.O.C. Vinho Verde 2017
R$ 69,70
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vinho
França
Região: Languedoc
2019 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Maison Pourthié Chardonnay 2019
R$ 83,30
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vinho
Itália
Região: Puglia
2018 / 750 ml / Branco
Vinho Branco 888 Vermentino Puglia 2018
R$ 100,00
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vinho
França
Região: Borgonha
2018 / 750 ml / Branco
Vinho Branco Baudouin Millet Chablis 2018
R$ 348,00
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vinho
Itália
Região: Sicilia
2019 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Trovati Bianco 2019
R$ 84,75
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vinho
Itália
Região: Molise
2018 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Campo In Mare Molise Falanghina 2018
R$ 388,00
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vinho
Portugal
Região: Dão
2020 / 750ml / Branco
Vinho Branco Quinta Da Fata Encruzado 2020
R$ 171,75
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