/Por Ana Beatriz Miranda

A história do vinho é tão antiga que se mistura com a da própria civilização. O vinho na antiguidade era muito diferente do que é hoje, é claro, e deve ter surgido acidentalmente. Bastaram algumas uvas amassadas esquecidas e pronto! A mágica da fermentação aconteceu, alguém resolveu provar o sumo resultante e voilà. Era um líquido avinagrado, pela má conservação e contato com o ar, aguado, com mel para adoçar ou ervas para melhorar o gosto. 

Entretanto, mesmo com sabores não muito bons, o vinho era uma melhor opção do que a água e o leite disponíveis para se beber no passado, que eram cheios de microrganismos e disseminavam doenças. Isso porque o álcool atuava como desinfetante e trazia certa segurança.

As primeiras vinhas do mundo datavam da Idade da Pedra, de 7.000 a 5.000 anos a.C., na região do Cáucaso, Geórgia, que fica entre a Europa e a Ásia. Embora não se saiba exatamente quando é provável que o vinho tenha surgido por volta de 6.000 a.C. Os primeiros escritos sobre a bebida datam de 1.800 a.C, em uma das obras mais antigas do planeta, o Gilgamesh, e também no primeiro livro da Bíblia, que fala que Noé plantava vinhedos.  

O Egito teve um papel crucial na expansão do vinho. Vários hieróglifos, caracteres usados como escrita no Antigo Egito, detalhavam como o vinho era feito. As videiras ficavam protegidas do sol. Após amadurecimento, as uvas eram colhidas, prensadas primeiramente com os pés e depois com uma lona esticada em uma moldura de madeira. Depois, a bebida era fermentada.

Os egípcios eram detentores do conhecimento dos processos fermentativos de pães e também do vinho. Depois de manejarem a fermentação, o líquido era armazenado em recipientes ou misturada com outros vinhos. Foi no Egito que as ânforas surgiram. Elas serviam para transportar e servir a bebida.

Os gregos se apaixonaram perdidamente pelo vinho, tornando-o inclusive objeto de culto, com o deus Dionísio. A Grécia se especializou no cultivo das uvas e na produção do vinho mais do que qualquer povo. Foram os gregos que decidiram envelhecer o vinho em ânforas forradas com resina de madeira, incrementando os aromas e os sabores da bebida. Foi o primeiro passo para a criação das barricas, que surgiram no Império Romano.

Quando o vinho foi para Roma, a cerveja era a bebida principal da época, no ano 1.000 a.C. Mas os romanos tomaram gosto pelo líquido de Baco e aprimoraram as técnicas de viticultura. Foram eles que inventaram os barris de madeira, catalogaram a maior parte das uvas viníferas e as pragas que afetavam as vinhas.

Após a queda de Roma, a Era Medieval começou com o vinho sendo apreciado por toda a Europa. A França despontou como a grande produtora da bebida. A consolidação do catolicismo e seus rituais com vinho reforçou sua importância, se difundindo cada vez mais. O produto se tornou indispensável na economia, principalmente depois da descoberta do espumante, por Dom Pérignon, no final do século 16.

E assim o vinho navegou do Velho Mundo para suas colônias no Novo Mundo, ganhando cada vez mais espaço e se tornando uma bebida histórica, cultural e economicamente essencial no mundo todo.