/Por Ana Beatriz Miranda

Existem as uvas mais populares, aquelas que a maioria dos enófilos sabe dizer o nome sem pensar muito (como Cabernet Sauvignon e Chardonnay), e também há as que não são tão conhecidas, mas geram vinho inesquecíveis. A Petit Verdot é uma delas.

Essa variedade tinta é usada há séculos em cortes de Bordeaux, para dar cor e densidade ao vinho. Até o século 18, antes da praga filoxera — que assolou a maior parte dos vinhedos franceses, ela era bastante cultivada.

Quando a viticultura francesa se reergueu, a Petit Verdot perdeu espaço por causa de seu cultivo difícil. Apenas nos anos 70, essa uva tornou a ser destaque por mãos de viticultores norte-americanos, que resolveram apostar nela. Outros países seguiram o exemplo, como Argentina, Chile, Espanha, Portugal, Itália e Austrália, e renasceram essa casta nas taças do mundo todo.  

Origem da Petit Verdot

Não se sabe exatamente a origem dessa uva. Indícios indicam que ela foi uma das primeiras a ser plantada na região de Bordeaux, pelos romanos. O nome Petit Verdot (verde pequeno) é uma referência ao amadurecimento tardio e também aos cachos pequenos que forma, com uvas escuras e esverdeadas mescladas.

Climas frios dificultam ainda mais seu cultivo já delicado. Já em climas quentes, a Petit Verdot se dessenvolve bem, daí o sucesso em países do Novo Mundo e em regiões quentes do Velho Mundo, como na Sicília, Itália.

Características

A Peti Verdot é intensa em sua coloração e estrutura. Ela é usada nos blends para trazer potência e tem uma grande quantidade de flavonoides, benéficos à saúde.

É uma variedade de casca grossa, taninos expressivos e acidez presente. Por isso, é um grande desafio para os enólogos vinificar essa casta em varietais, já que é difícil equilibrar os taninos e a acidez. Mas muitos produtores têm tido resultados excelentes de Petit Verdot, sobretudo quando a bebida passa por estágios em carvalho, se tornando mais macia.

Como se trata de um vinho cheio de intensidade, o rótulo elaborado com Petit Verdot, mesmo em blends, pede pratos robustos. Cortes de carne vermelha gordurosa, como costela, queijos defumados, cogumelos, abobóra e berinjela costumam ser bons pares.