/Por Cristina Bielecki

Enólogo-chefe da Chandon, o francês Philippe Mével contribuiu muito para a história e cultura do espumante brasileiro, hoje reconhecido internacionalmente. Ele chegou aqui em 1990 e tinha data definida para voltar à França: seis meses.

“Era para cobrir a colheita local e dar continuidade às atividades depois da saída do enólogo anterior”, relembra. Ele assinou um contrato de três anos, que até hoje segue em vigor. A vinícola era ainda muito pequena, o que o deixou ainda mais interessado no desafio.

“Tinha a oportunidade de gerenciar o processo, da plantação à garrafa. A escala humana também era cativante.” Aqui, Mével fala sobre o espumante brasileiro e conta detalhes da chegada do Chandon Excellence Magnum Safra 2009, que faz parte da coleção para celebrar os 50 anos da empresa no país.

Hoje, quais são as características do espumante brasileiro que mais atraem o consumidor?

Pergunta simples, mas difícil de responder, pois não existe um consumidor único em um país do tamanho do Brasil. Por isso, a Chandon tem no portfólio seis espumantes, com personalidade e estilo próprios. Eles têm em comum as características de frescor, frutado e fineza que os tornam fáceis de beber.

Os rosés, por exemplo, como o Chandon Brut Rosé e o Passion, enaltecem mais a fruta; já o Chandon Réserve Brut e o Excellence Brut, o frescor.

Sobre as uvas do espumante brasileiro, o que cada uma proporciona em sabor e aroma?

Nossas principais são chardonnay, pinot noir e riesling itálico. Essa última não é o riesling da Alemanha e Alsácia, mas sim a variedade conhecida na Europa como welschriesling.

É uma uva histórica e até mesmo icônica para esta região, bem adaptada às nossas condições. Apresenta ótimo frescor cítrico na entrada – enquanto a chardonnay traz o meio do paladar e a pinot noir acrescenta um toque de estrutura no final.

Juntas, elas garantem uma excelente percepção de harmonia. Acreditamos que o vinho se faz nos vinhedos. A vinificação simplesmente permite que o vinhedo se expresse em sua totalidade.

O Chandon Excellence Magnum é um momento histórico para a empresa. Como é esse lançamento?

É a segunda edição, o segundo lote, safra 2009, exclusiva, com 900 garrafas numeradas e com certificado assinado. Com mais de dez anos de maturação, esta edição apresenta uma cuvée singular, ricamente estruturada e de paladar untuoso e equilibrado, com uma persistência final longa e única – resultado da desafiadora safra de 2009.

Quais foram as condições dessa safra?

Diferente da safra de 2008, a do primeiro lote desta coleção, 2009 apresentou uma sequência climática extremamente desafiadora para as uvas base do espumante: pinot noir e chardonnay.

Foi um inverno ameno, seguido de um início de primavera com geadas, e a primavera com temperaturas um pouquinho abaixo da média, mas com chuvas muito acima do normal. Os vinhedos da Chandon não escaparam dessa adversidade e uma parte deles chegou a sofrer perdas.

Resultou uma carga de uva menor, compatível com o vigor um pouco debilitado das plantas. No período de maturação, que se estendeu do fim de novembro até meados de janeiro, as chuvas ficaram abaixo do normal, com dias ensolarados e boa amplitude térmica.

Esse período foi determinante para recuperar um bom equilíbrio nas videiras, entrar em frutificação e criar a “personalidade” da safra de 2009: acidez marcante, teor de açúcares mediana e fineza aromática.

A coordenação entre as equipes do vinhedo e da adega foi decisiva para contornar essas dificuldades e selecionar os melhores lotes de uvas com bom potencial qualitativo.

Esses desafios também se estenderam na etapa de vinificação?

Graças à precisão do manejo e das práticas vitivinícolas, conseguimos selecionar algumas quadras de chardonnay e pinot noir que entregaram uvas um pouco mais maduras e mais sãs. Redobrando os cuidados na vinificação, os vinhos-base mostraram um perfil diferenciado e foram destacados pelo Comitê de Degustação.

Como a qualidade final obtida merecia o rótulo Chandon Excellence, a equipe, com toda a força de sua expertise adquirida ao longo de mais três décadas, acreditou, assumiu o risco, ajustou o assemblage e elaborou este lote em magnum da “Safra 2009”.

Como foi o ajuste do assemblage?

A interpretação desta safra permitiu que a equipe tomasse certa liberdade no assemblage, que leva uma proporção maior de chardonnay (58%) em comparação à de pinot noir (42%), quando o habitual é uma proporção maior de pinot noir (de 55% a 65%). Foi elaborado pelo método chandon, com acompanhamento da equipe de enologia. 

O que é o método chandon?

Uma segunda fermentação o mais lenta possível, seguida de longo período de maturação em contato com as leveduras permanentemente colocadas em suspensão por um sistema de agitação suave e delicado, para desenvolver a complexidade e a textura dos espumantes. Essa fase dura de 15 a 18 meses.

Depois, o espumante é engarrafado e continua por, no mínimo, o mesmo tempo descansando. No caso da Magnum, estendeu-se até completar dez anos para compor a riqueza aromática, com frutas secas, amêndoas, laranja cristalizada, pão torrado, noz moscada e mel. O paladar é marcante e sutil, ricamente estruturado. É equilibrado entre frescor e maciez, com uma única e longa persistência final.

O espumante brasileiro é mesmo um dos grandes do mundo?

O Brasil tem uma vocação para elaborar espumantes de alta qualidade, com personalidade própria, o que o coloca, sem dúvida, na corte dos grandes do mundo. No universo vitivinícola mundial, a qualidade dos espumantes nacionais já é fato e, ano após ano, o Brasil vem colhendo cada vez mais medalhas e reconhecimentos nos mais diversos concursos e degustações internacionais. 

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Itália
Região: Treviso
2018 / 750 ml / ESPUMANTE
Espumante Tutela Prosecco Di Treviso Extra Dry
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Região: Serra Gaucha
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Brasil
Região: Serra do Sudeste
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Região: Serra do Sudeste
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Brasil
Região: Serra do Sudeste
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