/Por Guta Chaves

Vivemos um resgate da produção artesanal, que colocou em evidência no setor vinícola as agriculturas de manejo sustentável e orgânica. Segundo dados da Wine South America, nos últimos cinco anos cresceu 20%, em termos globais, a procura por vinhos orgânicos – feitos a partir de uvas cultivadas sem uso de agrotóxicos e controle de pragas com produtos naturais.

Apesar de ser tendência, o volume de uvas orgânicas no Brasil ainda é insipiente. O único estado com cadastro de produção e comercialização de orgânicos é o Rio Grande do Sul, com cerca de 90% da produção do país, correspondente a 42.900 litros de vinhos (dados de 2019) – o que, somada às outras 10% restantes dos demais estados, não é suficiente para atender à demanda.

Embora ainda sem regulamentação definida, há alguns anos passou- -se a enfatizar também a vinificação natural. Essa se refere basicamente aos vinhos feitos apenas do mosto da uva, fermentado com leveduras selvagens, sem adição de compostos, como anidrido sulfuroso (SO2) – conservante químico que previne a oxidação e mantém o frescor do vinho – e sem filtração.

Vinificação ancestral

Seguindo essa trilha natural, temos em Garibaldi, na Serra Gaúcha, o autodidata Eduardo Zenker, que produz vinhos por esse método desde 1999. Para a vindima de 2021, serão em média 20 rótulos, cerca de 10 mil garrafas no total. “Entendemos que a diversidade é uma característica que queremos manter na Arte da Vinha”, enfatiza Zenker.

Como ingrediente, usam apenas uvas viníferas e o mínimo de equipamento, como desengaçadeira e prensa manual. “Escrevemos e divulgamos aos consumidores as Diretrizes do vinho Vi.V.A. (Vinhos de Vinificação Ancestral)”, conta.

A vinícola tem parceiros de cultivo sustentável, de práticas orgânicas não certificadas e também convencionais, por conta de a produção de uvas orgânicas viníferas não suprir a demanda dos vinhateiros.

Conexão com o universo

A jovem enóloga Vanessa Medin recebeu de presente do pai, há alguns anos, um pequeno vinhedo de 1,5 hectare. Na época, ela trabalhava numa grande vinícola e imaginou que fazer o próprio vinho seria um bom projeto de aposentadoria.

Mas acabou adiantando bastante seu sonho. Em 2019 já montava uma pequena vinícola para a produção de vinhos de vinificação natural, sem grana, com os equipamentos mais simples possíveis. Por conta da pouca oferta, usa uvas orgânicas e convencionais.

Na hora de criar os vinhos, não é ortodoxa. Não filtra a bebida fermentada, mas procura fazer várias trasfegas e usar barrica de carvalho, a fim de deixá-la o menos turva possível.

Com relação aos aspectos ligados à sustentabilidade, comenta que ainda tem muito a aprender: uma parte das que usam garrafas é reciclada, e planeja ter água reaproveitada da chuva, além de luz solar.

Pilares de sustentabilidade

Pioneira na criação do Plano de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo, em Portugal, a Casa Relvas direciona uma visão de sustentabilidade para três pilares: social, ambiental e econômico. “Eles precisam estar em equilíbrio, sendo que as pessoas são a parcela mais importante para o futuro sustentável”, comenta Alexandre Relvas Jr., head winemaker da vinícola portuguesa. 

No aspecto ambiental, ressalta-se a policultura: a propriedade tem vinhas, olivais, ovelhas e 655 hectares de floresta ibérica, captando 10 toneladas de CO2 por hectare ao ano. Os olivais fazem uma captação de dióxido de carbono e as ovelhas melhoram a matéria orgânica nos solos.

O controle da água faz parte do processo. Uma parcela dos vinhedos, cerca de 10%, é orgânica, e o restante, 90%, de produção integrada. Os produtores que utilizam um ou mais desses três métodos – orgânico, sustentável e vinificação natural – acreditam elaborar vinhos que expressam muito mais o terroir e respeitam o equilíbrio ecológico.

A demanda por esses estilos fez crescer no Brasil a Feira Naturebas, que começou com 20 expositores e visitação de 100 pessoas, em 2013, e já tem hoje 100 expositores e quase 2 mil visitantes. Por outro lado, a nomenclatura desses vinhos ainda esbarra na legislação.

Hélio Marchioro, da vinícola Casa Ágora, conta que essa perspectiva tende a mudar em breve, pois a Câmara Setorial da Uva e do Vinho (Ministério da Agricultura), da qual ele é membro, está concebendo uma nova lei, que prevê um artigo sobre “vinhos diferenciados”, em que entrariam, além dos coloniais, os artesanais e os ancestrais – orgânicos, biodinâmicos e naturais. A previsão é que ela seja apresentada ainda neste ano no Congresso. 

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Itália
Região: Veneto
750 ml / BRANCO
Oggi Moscato
R$ 90,95
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vinho
Brasil
Região: Planalto Catarinense
2016 / 500 ml / Licoroso
Vinho Branco Doce Leone Di Venezia Dolce Vita 2016
R$ 216,00
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vinho
Brasil
Região: Planalto Catarinense
2019 / 750 ml / Branco
Leone Di Venezia Oro Vecchio 2019
R$ 183,00
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vinho
Brasil
Região: Planalto Catarinense
2018 / 750 ml / TINTO
Leone Di Venezia Sangiovese 2018
R$ 188,00
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vinho
Itália
Região: Trentino Alto Adige
2018 / 750 ml / Tinto
Forte Alto Merlot 2018
R$ 84,75
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vinho
Brasil
Região: Campanha Gaucha
2019 / 750 ml / BRANCO
Campos De Cima Aprochego 2019
R$ 77,90
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vinho
Brasil
Região: Campanha Gaúcha
2017 / 750 ml / TINTO
Casa Venturini Tannat Reserva 2017
R$ 89,00
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vinho
Espanha
Região: Catalunha
2018 / 750 ml / TINTO
Montrubí Black Garnacha 2018 Orgânico
R$ 167,45
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vinho
Brasil
Região: Serra do Sudeste
2018 / 750 ml / TINTO
Vinho Tinto Lidio Carraro Agnus Tannat 2018
R$ 110,00
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vinho
Brasil
Região: Serra do Sudeste
2018 / 750 ml / TINTO
Vinho Tinto Lidio Carraro Agnus Merlot 2018
R$ 104,00
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