/Por Ana Beatriz Miranda

O amadurecimento do vinho em tipos de barrica de carvalho traz uma gama única de aromas e sabores à bebida. Os barris são usados desde a antiguidade. Há indícios que os romanos os criaram. A intenção não era a de trazer complexidade ao líquido porque não se sabia dessa influência até mais recentemente. A ideia era armazenar e transportar o vinho com mais segurança.

Hoje as barricas mais utilizadas são as de carvalho. Elas se mostraram mais resistentes, impermeáveis e demonstraram mais afinidade com o fermentado de uva. No passado — e atualmente em proporções mínimas, outras madeiras eram usadas para a construção dos barris, como cerejeira e castanheira. O carvalho se tornou a melhor escolha também por sua disponibilidade, boa porosidade, maleabilidade e presença de taninos.

Usar ou não a barrica de carvalho para envelhecer o vinho é uma escolha do enólogo. O tamanho padrão de um barril é de 225 litros. Ao longo do tempo, a madeira permite o contato lento com o oxigênio, o que contribui para a evolução da bebida. Ela fica mais macia e adquire complexidade aromática. 

O carvalho é uma árvore da família das Faias (Fagaceae) e é nativo de climas temperados, na Europa, América do Norte e Ásia. Existem mais de 250 espécies, mas apenas algumas são usadas na fabricação dos barris. Entre os tipos de carvalho que existem, o francês, o americano e o húngaro são os mais conhecidos. Confira os tipos de barrica de carvalho.

Barrica de carvalho francês

O carvalho francês é elegante e abundante nas florestas da França. Há um órgão regulador no país, a Agência Florestal Francesa, que gerencia, padroniza e fiscaliza as árvores. Nenhuma vai para indústria tanoeira (responsável pela produção dos barris) antes de ter 150 anos de idade. As espécies mais usadas nas barricas francesas são Quercus robur (carvalho pedunculado) e Quercus petraea ou Quercus sessilis (carvalho séssil).

A Quercus robur é rica em taninos, pouco aromática e tem granulação larga. O aroma predominante é de feno. A Quercus petraea ou Quercus sessilis é mais delicada, com granulação fina, pobreza de taninos e aromas expressivos de baunilha e especiarias.   

Barrica de carvalho húngaro

A Hungria é outro país que se destaca na tanoaria, além de Polônia, Romênia e Rússia. A barrica húngara é bastante similar à francesa, mas tem suas particularidades. O carvalho da Hungria tem taninos suaves e confere untuosidade ao vinho, além de aromas de nozes.

Ele contribui com volume e textura. Costuma ser uma boa opção para produtores que não querem gastar demais com as barricas francesas, mas busca a elegância da madeira europeia.

Barrica de carvalho americano

O carvalho americano mais usado nas barricas é o Quercus alba. Ele tem uma granulação fina, é mais duro e menos permeável que os outros carvalhos. O seu corte é feito aos 60 anos de idade.

Ele é excelente para amaciar vinhos com taninos muito potentes. Porém, a barrica americana confere aromas com mais facilidade. Os mais comuns são de baunilha, coco, café, cacau e canela. Os preços são mais em conta que as barricas francesas e as demais europeias.