/Por Sergio Crusco

Quem nunca comprou um livro pela capa? Um pacote de biscoitos pela embalagem sedutora? Um utensílio doméstico pelo design inovador? Com o vinho não é diferente. Quem vai a uma loja física ou pesquisa pela Internet é capaz de se encantar com rótulos coloridos, ousados, fofos, pouco comuns, intrigantes – e deixar que o design de pequenas obras-primas visuais decida a compra.

“Com a sobrecarga de informação a que estamos submetidos, a imagem ganha peso cada vez maior. O produto precisa ‘gritar’ para chamar atenção do consumidor”, diz Rodrigo Lanari, diretor da empresa de consultoria Winext.

Há mais um atributo caro a quem quer ganhar o consumidor pelo olhar: o rótulo instagramável, capaz de gerar likes, comentários e compartilhamentos nas redes. “Hoje os designers precisam pensar em como o rótulo aparece na tela de computadores e celulares.”

Diferencial de negócio

Quando idealizou a colorida linha de vinhos Go Up, o empresário Tiago Dal Pizzol, CEO da TDP Wines, buscou inspiração no que via acontecer no mercado dos Estados Unidos: etiquetas vibrantes, conectadas com o estilo de vida e os desejos do público jovem.

“Queria apresentar vinhos macios e fáceis de beber. Que, na identidade visual, fugissem da situação de consumo tradicional, que tivessem uma pegada de grafite, de arte urbana, e que atraíssem sobretudo o público feminino”, diz.

Houve alguma resistência ao projeto de Dal Pizzol, não exatamente por parte do público. Certos varejistas ficaram temerosos com a ousadia de cores da linha, lançada em 2019 e formada por dois tintos e um branco produzidos no Chile, e mais um espumante rosé da Serra Gaúcha, todos ilustrados com rostos de mulheres.

Grandes redes de supermercados, enfim, compraram a ideia e Dal Pizzol projeta fechar 2021 com 100 mil unidades vendidas de Go Up. A inovação gráfica no vinho brasileiro, embora tardia, já se faz notar no mercado dos naturais e começa a ganhar o setor mais tradicional.

“Jovens que hoje assumem os cargos de liderança nas empresas familiares estão mais abertos a novas ideias de marketing e design, não apenas nos rótulos, mas abrangendo toda a identidade visual da vinícola”, diz Anderson Cará, sócio e diretor de arte da Dharma Estúdio Criativo, agência responsável pelo desenho dos Go Up e de outras etiquetas com espírito jovial, como os divertidos Bah! e Guri, da Família Bebber, que têm inspiração nos cartoons de humor e no imaginário gaúcho.

Traços e tendências

Um rótulo diferentão pode ser o primeiro estímulo para conquistar novas gerações de enófilos. A estratégia, porém, não deve funcionar entre quem sabe exatamente a razão de se gostar de um Chianti ou de um Borgonha – ou quem vê o consumo de vinho de maneira formal.

“De forma geral, as empresas preferem trabalhar com o clichê. Dificilmente você verá um refrigerante de cola com uma cara muito diferente da Coca-Cola”, pondera Daniel Mazer, do escritório de branding e design D-Lab, cujos rótulos que criou para a Cia. Morada Etílica, incluindo os modernos grafismos dos espumantes Eu Borbulho, no entanto, fogem à curva tradicional.

Uma ideia diferente, afinal, pode tranformar-se quase imediatamente em clichê. Rodrigo Lanari cita o sucesso da linha australiana Yellow Tail, lançada no começo do milênio e hoje a marca de vinho mais poderosa do planeta, segundo a agência Wine Intelligence.

O canguru estilizado originou a onda global de rótulos com bichinhos fofos e a categoria recebeu um nome: critter wines. Os franceses Arrogant Frog e Vieille Fermé são duas dessas criaturas facilmente reconhecidas, seguidas pelos sul-africanos Goats do Roam, pelas argentinas Cuatro Vacas Gordas, pela portuguesa Perereca do Monte e por diversos outros seres mais ou menos saltitantes.

Nesse sentido, a Kombi que simboliza a vinícola brasileira Routhier & Darricarrère pode ser entendida como uma “criatura”. Rótulos escuros com desenhos em prata, como o tinto Grape Angel Premium Merlot Rara Neagra 2019, da Moldávia (excusivo da Sociedade da Mesa), representam outra tendência forte, apontada por Larini.

Vendendo a ideia de luxo e tradição, a marca americana Apothic foi pioneira no estilo, com storytelling que remete às apotecas onde os vinhos eram blendados no século 13. Figuras míticas ou heroicas também aparecem nesses rótulos reluzentes.

Exemplos recentes são a ode aos cavaleiros da Idade Média portuguesa no rótulo de 12 Knights, produzido pela Aveleda, e a figura mítica do Diablo Dark na nova série de vinhos de Casillero del Diablo, da chilena Concha y Toro.

No segmento rosé, prevalece a moda das garrafas que lembram o mundo da perfumaria, com inspiração direta no design de Miraval, de Brad Pitt. Grifes famosas, interessadas em surfar na onda, entraram no negócio do vinho com rótulos delicadamente trabalhados na mira fashionista – caso da linha de Dolce & Gabbana produzida pela vinícola siciliana Donnafugata.

No Brasil, o rosé da vinícola Luiz Argenta é um belo representante da tendência, assim como todas as garrafas da linha LA Jovem, que remetem a frascos de perfume e nos aguçam a curiosidade sobre os aromas que contêm. 

Aproveite os vinhos exclusivos da Sociedade da Mesa

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Itália
Região: Piemonte
2016 / 750 ml / Branco
Tenuta Santa Seraffa 2016
R$ 157,25
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Região: Piemonte
2015 / 750 ml / Tinto
Crocera 2015 Dasti Supreme - Tinto
R$ 168,00
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Região: Northern Cape
2015 / 750 ml / Tinto
Vinho Tinto Anesu Shiraz 2015
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Itália
Região: Veneto
750 ml / Espumante
Espumante Palladiano Durello 750 Ml
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França
Região: Languedoc
2017 / 750 ml / BRANCO
Domaine Pujol Izard Les Capitelles Blanc 2017
R$ 108,00
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vinho
Australia
Região: South Eastern Australia
2016 / 750 ml / Tinto
Vinho Tinto The Wishbone 2016
R$ 172,00
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