/Por Sergio Crusco

Quando Fabiana Bracco assumiu a direção da vinícola familiar Bracco Bosca, na região de Atlántida, Uruguai, um dos primeiros conselhos que ouviu foi de que arrancasse as videiras de moscato e ugni blanc. “Eram vinhas velhas, de mais de 30 anos, e alguns enólogos disseram que eram uvas de pouco valor, não dariam em nada. Mas sou uma uruguaia cabeçuda e preferi fazer as coisas a minha maneira do que seguir a moda dos outros”, conta Fabiana.

A vontade de ser diferente a levou a produzir um moscatel fora da curva – gastronômico e bem mais seco do que aqueles a que estamos acostumados a beber. O vinho encantou críticos e ganhou imediata boa pontuação no Guia Descorchados, principal manual de avaliação da viticultura na América do Sul. Conquistou também Josep Roca, sommelier e sócio-proprietário do espanhol El Celler de Can Roca, que garantiu para o moscatel de Fabiana o lugar na carta de um dos restaurantes mais premiados do mundo. 

Pioneirismo lívido

Cabeçuda ou visionária, Fabiana estava conectada com o movimento de valorização das uvas brancas no Uruguai, país reconhecido pela pujança de tannats robustos e ricos em taninos, especiais para acompanhar as carnes opulentas também lá produzidas.

Nada errado com as características e a fama – muito merecida – do potente tannat, mas a cultura dos brancos trouxe um sopro de leveza e apontou um caminho de diversidade à vinicultura uruguaia.

A rota para o reconhecimento do país como surpreendente produtor de brancos foi aberta pela Bodega Bouza, que, no começo do milênio, investiu, com sucesso, na casta ibérica albariño (em Portugal, alvarinho). Nos anos 2010, o sucesso do albariño da Bodega Garzón (fruto da qualidade do vinho e de um poderoso trabalho de marketing) pavimentou a estrada para que muitas vinícolas do país investissem na casta, descobrindo possibilidades para outras variedades brancas – algumas que já estavam por ali, mas para quem ninguém dava bola.

Leveza, elegância e frescor

Em Maldonado, região da badalada Punta del Este, a Bodega Garzón encontrou o terroir ideal para a albariño. “Os solos pobres e compostos em sua maioria de granito meteorizado e areia, nossa topografia de suaves colinas que permitem aproveitar diferentes exposições ao sol, junto às brisas frescas do Atlântico, proporcionam as melhores condições para a maturação das frutas. O terroir em que estamos situados é responsável pela expressão mineral de nossos vinhos brancos – frescos, elegantes e salinos”, diz Germán Bruzzone, enólogo da Garzón, que também trabalha com as castas sauvignon blanc, viognier e pinot grigio.

“Os vinhos brancos uruguaios têm excelente acidez, que é a espinha dorsal da estrutura de um branco. São leves, de grande delicadeza, têm frescor, uma fruta muito límpida, sobretudo os produzidos na zona leste do país”, descreve Santiago Degásperi, enólogo da Bodega Oceánica José Ignacio, produtora de chardonnay e albariño.

Em Canelones, ao norte de Montevidéu, Degásperi é um dos empreendedores do Proyecto Nakkal, de vinificação natural, trabalhando com sauvignon blanc e ugni blanc, além de variedades tintas, na elaboração de vinhos tranquilos e pét-nats (espumantes de uma só fermentação) de baixíssima intervenção.

As pouco prováveis muscat ottonel e pinot blanc devem ser colhidas nas próximas vindimas do Nakkal. Há interesse e curiosidade por parte de vinhateiros mais arrojados em experimentar castas brancas pouco difundidas, além daquelas já bastante consolidadas no Uruguai, como albariño, chardonnay e sauvignon blanc.

Nesse radar, viognier, torrontés, marsanne e ugni blanc revelam grande potencial, segundo Degásperi, que também crê em boas possibilidades para chenin blanc, mencía e riesling. Essa última já provou excelência em solo uruguaio, a exemplo dos rótulos da Bodega Bouza elaborados a partir dos vinhedos de Pan de Azúcar, em Maldonado. Riesling será a próxima aposta branca de Fabiana Bracco, e tudo isso nos envia sinais de boas surpresas.

Novo Uruguai

Além dos brancos uruguaios em sua mesa, também é possível esperar novidades tintas. O tannat tem sofrido mudanças estruturais e não necessariamente chegará com a rugosidade e a carga costumeiras de taninos.

“Há um novo Uruguai mais fresco e elegante, menos gordo e opulento, com uso mais comedido ou sem madeira, e uma diversificação de castas, com destaque para merlot, marsellan, cabernet franc e pinot noir, que já eram cultivadas, mas hoje ganham autonomia, adeptos e prêmios”, diz Giuliana Nogueira, enófila e estudiosa dos vinhos uruguaios.

Fabiana Bracco acredita que os tintos leves vieram para ficar, mas devem conviver com os tannats potentes. “A adstringência faz parte de nossa identidade: bebemos mate, somos do amargor”, diz. “Além de vinhos de baixa intervenção, também acredito na máxima interpretação: interpretar seu terroir e entender o que ele oferece. Foi o que me levou a não arrancar as vinhas de moscato.”

vinho
Espanha
Região: Galicia
2016 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco La Casa De Las Locas Godello 2016
R$ 159,00
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vinho
Alemanha
Região: Franken
2018 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Divino Cuvée Weiss 2018
R$ 48,50
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vinho
Região: Languedoc
2019 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Maison Pourthié Chardonnay 2019
R$ 98,00
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vinho
Itália
Região: Puglia
2018 / 750 ml / BRANCO
888 Vermentino Puglia 2018
R$ 68,75
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vinho
Região: Borgonha
2018 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Baudouin Millet Chablis 2018
R$ 348,00
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vinho
Região: Sicilia
2019 / 750 ml / BRANCO
Trovati Bianco 2019
R$ 113,00
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vinho
Região: Molise
2018 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Campo In Mare Molise Falanghina 2018
R$ 388,00
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vinho
Portugal
Região: D.O. Dão
2020 / 750ml / BRANCO
Vinho Branco Quinta Da Fata Encruzado 2020
R$ 206,10
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vinho
Portugal
Região: Douro
2019 / 750ml / BRANCO
Vinho Branco Vinha Do Bispado Branco 2019
R$ 123,30
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vinho
Espanha
Região: Galicia
2016 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco La Casa De Las Locas Albarino 2016
R$ 171,00
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