/Por Ana Beatriz Miranda

A Grécia, o berço da civilização ocidental, tem uma relação íntima e transformadora com o vinho. Foi lá, com as bênçãos de Dionísio, o deus grego do vinho, que a bebida ganhou técnicas de cultivo e vinificação, se expandindo pela a Europa. O vinho grego teria sido muito mais próspero caso o impacto do domínio do Império Otomano não tivesse sido tão potente.

Foi só a partir do século 20 que as práticas vitivinícolas voltaram a crescer no país. Assim, o potencial produtor grego se destacou, se modernizou e tem mostrado resultados impressionantes. O consumo interno é enorme, ainda que a exportação ainda seja discreta, se comparada com as regiões produtoras mais tradicionais.

O vinho grego é produzido há pelo menos 3.000 anos a.C. Há registros com descrições completas sobre o cultivo das videiras e elaboração do vinho. No poema épico Ilíada, de Homero, são citadas cidades produtoras de vinho e suas tradições. O vinho era mais que bebida para os gregos. Era medicamento, moeda e religião.

A localização geográfica da Grécia é excelente para os vinhedos. Grande parte do país é cercado pelos mares que formam o Mediterrâneo. O clima é variado, de acordo com as regiões, mas de forma geral são bons para o amadurecimento das uvas.  

O primeiro sistema de denominação de origem grega surgiu nos anos 70, sendo atualizado ao longo das décadas. Os vinhos mais célebres são os doces. Tintos, brancos e os vinhos retsina, aromatizados com resina de pinheiro, também têm prestígio. Os rosés são menos representativos, assim como os espumantes.

A Grécia tem um grande número de uvas autóctones, nativas do país. Elas dividem espaço com as variedades internacionais, principalmente Cabernet Sauvignon, Syrah e Sauvignon Blanc. As tintas mais conhecidas são Agiorgítiko, Xinómavro e Mavrodaphne. Jás as brancas são Moscatel (sim, ela é provavelmente grega), Malvasia e Savatiano.

Principais regiões produtoras de vinho grego

Hoje a Grécia tem 33 denominações de origem divididas em nove regiões.

Norte

A região Norte contempla Trácia e Macedônia, além do Monte Olimpo e o norte da Tessália. Por lá, há cinco DOPs. Os vinhos são geralmente de guarda, elegantes e profundos.

Grécia Central

É a região que produz maior volume e a que dá origem aos vinhos mais exportados. A denominação Rapsani é a principal, localizada aos pés do Monte Olimpo. Os blends de uvas indígenas são equilibrados, complexos e potentes.

Peloponeso e Ilhas Jônicas

Peloponeso fica bem ao sul da parte continental grega e é conhecido por seus vinhos brancos de Mantinia e tintos de Nemea. Há uma diversidade de estilos de exemplares aqui, por causa da variedade climática, tanto mediterrânea quanto continental.

Ilhas do Egeu

As Ilhas do Egeu têm uma variedade incrível de solos, de praias com areia branca, praias com areia preta e imensos blocos de mármore. Santorini, a mais turística ilha grega fica na região. Em Pyrgos, o solo é vulcânico e poroso, conferindo características únicas aos vinhos.

Creta

Na Ilha de Creta, a maior parte da superfície é acidentada, mas ainda assim a produção é expressiva. São quatro denominações de origem, que geram brancos e tintos deliciosos.