/Por Ana Beatriz Miranda

Talvez você já tenha se perguntado se o vinho tem conservante em sua composição. Será que precisa? Será que tem algum efeito na bebida e no nosso organismo? Nos dias de hoje, com a tendência do vinho vegano, orgânico, biodinâmico e natural, esses questionamentos têm sido cada vez mais comuns.

A resposta é que o vinho elaborado da forma tradicional tem, sim, conservante, o sulfito. Em quantidades ínfimas e sem causar nenhum mal. Cada país tem sua própria legislação quanto ao uso de aditivos químicos na bebida, sejam conservantes, estabilizantes, antioxidantes e acidulantes.

No Brasil, por exemplo, são autorizados os conservantes sulfitos ácido sórbico, o INS 200, e dióxido de enxofre (anidrido sulfuroso), o INS 220. A lei exige que o produtor deixe claro nos rótulos dos vinhos que há acréscimo do conservante.

Isso porque muitas pessoas têm sensibilidade aos sulfitos. Quem tem alergia, costuma apresentar urticária, manchas vermelhas pelo corpo, e até crises asmáticas. Mas apenas cerca de 1% da população mundial apresenta estados alérgicos com os sulfitos. 

Como os sulfitos agem no vinho?

Os conservantes sulfitos agem como matadores de microrganismos. Eles podem ser usados em várias etapas da elaboração do vinho. Ainda no cultivo, são utilizados para proteger as videiras de algumas pragas. Vinhos orgânicos e biodinâmicos permitem esse uso.

Depois da colheita e antes da fermentação, alguns produtores usam os sulfitos para eliminar possíveis micróbios nas uvas. Um outro momento de uso é após a fermentação malolática (a fim de suavizar a acidez), caso seja feita.

Quando o líquido vai para as barricas de carvalho ou tanques de inox também ganham sulfito, que protege o vinho da oxidação excessiva durante o amadurecimento. Por fim, os produtores acrescentam mais sulfitos na hora de engarrafar, para manter a estabilidade do vinho e garantir que ele dure o suficiente para ser apreciado com qualidade.

E os vinhos naturais?

Os vinhos naturais são elaborados com o mínimo de intervenção. Não são acrescentadas leveduras e nem nenhum aditivo químico, inclusive os sulfitos. Contudo, nem todo vinho pode ser feito assim. Exemplares com mais taninos são os ideais para a não adição de conservantes porque são naturalmente mais estáveis.

Porém, é importante entender que rótulos sem sulfitos refletem menos os terroirs de origem e retratam mais a falta de uso de conservantes. Um defeito pode se sobressair e tornar a bebida desagradável.

Isso não quer dizer que não há vinhos incríveis sem conservantes, viu? Existem vinícolas especializadas em elaborar vinhos naturais de altíssimo nível. Entretanto, a maioria esmagadora dos vinhos ainda é feita à base de sulfitos, ainda que a tendência seja usar o mínimo possível desse conservante.