/Por Guta Chaves

Potencial aromático, muitas frutas brancas, como pera e pêssego, baixa acidez e suavidade no paladar. Se você se sentiu atraído por essa descrição de vinho, então vale provar a uva lorena, um cruzamento de clone da vitivinífera malvasia bianca, aclimatada no Brasil, com a híbrida francesa seyval blanc, desenvolvido pela Embrapa e que está fazendo sucesso entre os produtores do Sul, Sudeste e Nordeste do país.

O fato de o Brasil ser tradicionalmente conhecido por ter o clima ideal para a produção das castas americanas, por conta da umidade, mas apresentar dificuldades no desenvolvimento das uvas finas, motivou a Embrapa, desde os anos 1980, a atuar na adequação de variedades. Por meio de melhoramento genético, passou a cruzar uvas europeias e americanas como alternativa de qualidade dentro da realidade climática do Brasil.

Com o Programa de Melhoramento Genético da Embrapa Uva e Vinho, a empresa detectou que havia uma carência no Rio Grande do Sul de brancas que cumprissem três requisitos: resistência às pragas e doenças (ótima para agricultura orgânica), alta produtividade e potencial enológico para vinhos de boa qualidade.

Foi daí que surgiu a BRS Lorena, de fácil vinificação, com elevada produtividade (entre 25 e 30 toneladas por hectare). É indicada para a elaboração de vinhos brancos de mesa aromáticos, com vigor moderado, boa relação entre doçura e acidez e boa intensidade no paladar.

Regulamentação brasileira

De acordo com a legislação brasileira, por ser uma híbrida, o vinho resultante não é considerado “fino”, mas “de mesa”, muito embora com relação ao sabor e aroma alguns especialistas garantam que tenha qualidade comparada às Vitis viniferas.

“Se misturar com outras variedades finas, às cegas, não se detecta que tem lorena”, afirma Celito Guerra, agrônomo da Embrapa e um dos responsáveis pelo projeto. Desenvolver um híbrido é um processo longo e criterioso, que leva cerca de 15 anos, desde o cruzamento, que ocorreu em 1986, até os testes no campo, tendo a lorena sido lançada oficialmente em 2001.

Descobriu-se, nesse processo, uma uva versátil, que pode ser colhida um pouco antes da maturação completa para fazer moscatel espumante; no ponto ideal para branco tranquilo; e na maturação completa para a produção de licoroso.

“Em qualquer um dos casos, aguenta o tranco e não perde a acidez, facilitando a vida do enólogo”, diz Guerra. Presta-se à elaboração de varietais e de vinhos de assemblage, entre eles cortes com semillon e riesling itálico. A variedade foi pensada para a Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, mas, como mostrou um resultado muito bom no campo, a ótima publicidade auxiliou na expansão de seu cultivo.

Lorena paulista

A casta desenvolveu-se muito bem na região de São Roque, em São Paulo, com a pioneira Vinícola Góes, que iniciou os testes com a lorena em 2000 e, hoje, colhe cerca de 100 toneladas.

“Fomos os únicos paulistas a ser convidados a fazer parte do conselho da Embrapa. Saímos até em livros da empresa”, enfatiza Claudio Góes. Virou um case na Embrapa o vinho licoroso Edição Especial Gumercindo Góes – em homenagem ao fundador –, feito de lorena pelo método fortificado, envelhecido em madeira de terceiro a quinto uso.

Vinificam ainda o branco Tempo de Góes Trópicos Lorena Seco e o vinho em lata Sauv, lançado entre maio e junho, sendo o lorena seco como uma das quatro varietais escolhidas. Um vinho para atender o consumidor jovem, que busca praticidade.

Lorena gaúcha

Embora esteja presente no Nordeste e outros estados do Sul e Sudeste, a maior parte da produção da lorena está mesmo no Rio Grande do Sul, com cerca de 500 hectares plantados. Da terceira geração da vinícola Chesini, em Farroupilha, na Serra Gaúcha, Ricardo Chesini mantém uma parceria com a Embrapa desde 2005, tendo sido um dos pioneiros na região.

Entre os cerca de 200 mil litros totais que engarrafa por ano, por volta de 10 mil são da casta. “É uma variedade que surpreendeu em função da intensidade aromática, do potencial de maturação e da qualidade do vinho”, comenta Chesini.

“Por isso, começamos a dar um tratamento como se fosse um grande vinho varietal fino”, o que conferiu à empresa inúmeros prêmios todos os anos nos concursos de Garibaldi e Farroupilha, que avaliam variedades americanas.

Um vinho com bastante aceitação é o Branco Seco Lorena, cujo público é de iniciantes no consumo de vinho. Aproveitando o nome feminino, a casa teve a ideia de homenagear as mulheres, criando a linha Le Ragazze (as garotas), em julho de 2021, um conjunto de cinco rótulos de vinhos demi sec, varietais de uvas americanas ou híbridas, sendo uma delas a lorena.

vinho
Espanha
Região: Galícia
2016 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco La Casa de Las Locas Godello 2016
R$ 174,12
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vinho
França
Região: Languedoc-Roussillon
2019 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Maison Pourthié Chardonnay 2019
R$ 117,65
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vinho
Itália
Região: Puglia
2018 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco 888 Vermentino Puglia 2018
R$ 102,35
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vinho
França
Região: Borgonha
2018 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Baudouin Millet Chablis 2018
R$ 351,76
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vinho
Itália
Região: Sicília
2019 / 750 ml / BRANCO
Trovati Bianco 2019
R$ 102,35
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vinho
Itália
Região: Molise
2018 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Campo In Mare Molise Falanghina 2018
R$ 351,76
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vinho
Portugal
Região: D.O. Dão
2020 / 750ml / BRANCO
Vinho Branco Quinta da Fata Encruzado 2020
R$ 269,41
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vinho
Portugal
Região: Douro
2019 / 750ml / BRANCO
Vinho Vinha Do Bispado Branco 2019
R$ 134,12
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vinho
Eslovênia
Região: Štajerska
2019 / 1000 ml / branco
Vinho Branco Gorice Cuvée Private Selection 2019
R$ 116,47
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vinho
Alemanha
Região: Franken
2018 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Divino Cuvee Weiss 2018
R$ 116,47
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