/Por Ana Beatriz Miranda

Pequena no tamanho, mas notável na elaboração de vinhos incríveis. Assim é Jura, a menor região vitivinícola da França. Ela fica entre as cidades de Arbois e Lons-Le-Saunier, entre a Borgonha e fazendo divisa com a Suíça, próxima à fronteira com a Alemanha.

Mesmo com sua pouca extensão territorial, Jura possui sete sub-regiões, todas AOC (Appellation d’origine contrôlée), a mais alta certificação francesa. São elas: Arboais, Côtes du Jura, Château-Chalon, Crémant du Jura, L’Etoile, Macvin e Marc du Jura.

Além das clássicas Chardonnay e Pinot Noir, Jura tem uvas autóctones de grande destaque, as tintas Poulsard e Trousseau, e a branca Savagnin. A Poulsard dá origem a vinhos cheios de frescor, taninos e coloração sutis, suculentos, complexos e aromáticos. São os chamados “vinhos de sede“, por causa da refrescância característica.  

A Trousseau é uma casta mais potente, se comparada à Poulsard, mas ainda assim é delicada. Seus exemplares são mais firmes e têm corpo médio, porém, também são refrescantes.

A uva Savagnin tem muita intensidade e acidez. Ela é a rainha do célebre Vin Jaune, o vinho amarelo. Ela é colhida tardiamente e fica de dois a três anos em barricas de carvalho, para que o o véu de flor ou la voile seja formado. Trata-se de uma película de microrganismos aeróbicos que fica sobre o vinho, aumenta o potencial de guarda, dando a cor amarela e os aromas de nozes, que lembra o Jerez.

Depois de seis anos e três meses, o Vin Jaune é engarrafado em garrafas de 620 ml e, então, comercializados. São vinhos peculiares, que retratam a importância de Jura.

O Vin de Paille (vinho de palha) é outro famoso filho de Jura. Ele é feito a partir de uvas desidratadas, que secam em estrados de madeira ou em quartos ventilados por minimamente dois meses. São exemplares de custo elevados, mas sabores inesquecíveis.