/Por Cristina Bielecki

O médico Wilson Rondó Jr. fez sua primeira especialização em cirurgia vascular. No ano seguinte, foi para a área de nutrologia, expandindo seu conhecimento além do consultório.

Com cerca de 100 mil seguidores no YouTube, mais de 4 mil artigos no site e quase 20 livros publicados, Rondó vai lançar, nos próximos meses, um livro dedicado unicamente ao vinho. Nesta entrevista exclusiva para a Sociedade da Mesa, ele fala sobre a nova obra e os benefícios da bebida para uma dieta saudável. 

Sua trajetória na medicina se iniciou pela cirurgia vascular e, depois, a nutrologia. Como foi essa mudança? 

Sou formado pela Faculdade de Medicina de Santo Amaro, em 1983. Fiz cirurgia geral e, na sequência, fui para a França fazer minha especialização em cirurgia vascular. Foi quando me deparei, aqui antes de partir e depois lá, com a medicina nutricional. Isso realmente me encantou.

Fui também para a Califórnia, para a Alemanha, na Heidelberg, depois voltei para a França; foram diversas viagens de estudos. Também tive uma formação importante nos Estados Unidos, na American Academy of Environmental Medicine e no American College of Advanced in Medicine, que me deu uma visão totalmente diferente desse universo.

Como criou os programas e terapias para complementar a medicina convencional? 

Os programas me motivaram a realmente fazer uma correção nutricional para que as pessoas tenham mais saúde. Observo que elas se alimentam de forma inadequada ou com conceitos alimentares muitas vezes sem o menor sentido, e isso tem de ser quebrado, tem de mudar para que as pessoas possam ter o máximo de saúde.

O objetivo é dar à célula o que a célula precisa: vitaminas, minerais, aminoácidos, enzimas… A medicina tem situações em que nós tratamos doenças, tem de usar remédio, usar cirurgia. Porém, em situações crônicas ou situações preventivas, é a reposição nutricional adequada que vai garantir uma qualidade de vida. Esse é o objetivo número 1 e é em cima disso que eu procuro trabalhar. 

Com muitos livros publicados, como faz para chegar aos temas abordados? 

São 14 livros publicados. Aliás, 17, porque três são de cirurgia vascular, são muito técnicos. E vários e-books. Os outros livros já têm uma abordagem específica.

Vejo um entendimento muito confuso sobre o que as pessoas precisam saber sobre vários alimentos que ficam à deriva, sendo segregados porque se achava que não eram bons. Por exemplo, a carne vermelha, que é a melhor proteína que nós podemos ingerir.

Tenho também um livro sobre o leite cru – que também é bem importante porque as pessoas ainda fazem muita confusão do que é esse tipo de leite. Tenho outros que também mexem nesses pontos, como o óleo de coco, que até hoje as pessoas fazem confusão se as gorduras são boas ou não. Tenho livros de treinamento, livros de emagrecimento que realmente dão o norte para que a pessoa emagreça com saúde, comendo corretamente.

Chegou a vez do livro do vinho? 

Minha motivação maior agora neste momento é o livro do vinho. Vejo o vinho como algo que precisa ser desmistificado, esse aspecto negativo que existe como se fosse uma bebida alcoólica, e não é. É um rico elemento nutricional e pode até ser associado em suporte terapêutico, digamos assim. Agora tudo isso depende da dosagem, é saber tomar, tomar com educação, com moderação.

Já apreciava vinho e foi estudar sobre os benefícios ou foi ao contrário: pesquisando sobre o assunto, passou a apreciá-lo? 

Comecei a conviver com o vinho desde meus avós, de um lado português e de outro italiano, que sempre tomaram vinho. Depois com meu pai, que, além de me ensinar a comer corretamente – porque ele também era médico –, me ensinou a consumir o vinho na dosagem certa, e isso faz muita diferença. O que os estudos pregam em termos de consumo é o seguinte: para a mulher, uma taça de vinho por dia, e, para o homem, até duas taças por dia, sem problema algum. 

Quando esteve na França, conviveu bem com o vinho? 

No pós-operatório de cirurgias importantes, era frequente chegarem as refeições dos pacientes quando eu estava no quarto deles para fazer visita. Junto com o prato, orientado pela parte nutricional, havia uma bouteille (garrafa) de um quarto de vinho tinto.

Isso me chamava bastante atenção porque a gente sempre tem a informação, até de base na escola médica, de que não se deve consumir álcool. É outra forma de entender essas condições, mas cada caso é um caso.

Quando o livro será lançado? Pode comentar alguns capítulos?

Nos primeiros meses de 2022. Terá 180 páginas no formato impresso e também em e-book. Começa contando sobre a evolução da expansão do vinho entre os povos e segue sobre a composição, a bebida como alimento, os benefícios, os polifenóis (resveratrol, quercetina e antocianina), as ações no organismo, vitaminas, minerais, aminoácidos, probióticos.

Além dos efeitos positivos e negativos do consumo para a saúde, como se deve maximizar os benefícios e minimizar os malefícios, quem deve evitar a bebida, a estratégia certa para beber vinho, diferença entre vinho e outras bebidas alcoólicas. Tem um capítulo só sobre vinhos naturais, uma explicação dos tipos orgânico, natural e biodinâmico.

Falo também sobre emagrecimento, comento sobre o champanhe e sigo com um guia dietético e medicinal do vinho com indicações e orientações terapêuticas. Inclui ainda curiosidades sobre o primeiro tratado medicinal do vinho. 

Para finalizar, quais os benefícios do vinho para a saúde? 

O vinho é um componente nutricional importante pela riqueza de vitaminas, minerais e até aminoácidos, além de conter bactérias probióticas, que são fundamentais.

Tem polifenóis, como o resveratrol, a quercetina e antocianina, que aumentam a proteção cardiovascular, melhoram a glicemia, previnem lesões renais e promovem um melhor funcionamento do sistema nervoso, tanto celular quanto de memória.

Nutre o cérebro, especialmente do idoso, e protege de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. Tem um potencial antioxidante que evita a oxidação do DNA. Hoje, sabemos a importância desses elementos na saúde, e isso é fundamental.