/Por Ana Beatriz Miranda

O processo de elaboração do vinho é algo delicado, complexo e muitas vezes artesanal. Pode levar um ano ou muitos anos, no caso de vinhos que amadurecem por longos períodos antes de serem engarrafados. Tudo começa com o plantio. Da poda à colheita, o plantio demora de dois meses e meio a cinco meses e 20 dias.

1) Colheita

A colheita das uvas, também chamada de vindima, é feita de acordo com a maturação do fruto. Cada variedade tem seu tempo de amadurecimento. O processo pode ser feito manual ou maquinalmente. A colheita à mão é mais demorada, porém mais minuciosa. A colheita por máquinas é rápida, mas menos cuidadosa.

O produtor decide se as uvas serão colhidas de dia ou à noite. Muitos têm optado pela colheita noturna, para preservar o frescor das castas, já que o clima é mais ameno. Depois de colhidas, as uvas vão para a cantina, um galpão de produção, e passam por uma triagem para a eliminação de uvas fora do padrão esperado.

2) Desengace e formação do mosto

Existem máquinas que fazem o desengace, a separação dos bagos dos engaços, os raminhos que os sustentam. Assim como há o desengace manual. Depois dessa etapa, as uvas são esmagadas para a extração do mosto, o sumo.

3) Prensagem do mosto

Essa etapa é feita apenas na elaboração dos vinhos brancos. As uvas devem ser separadas das cascas e das sementes, para que não adquiram cor e nem taninos.

4) Fermentação

Agora começa a mágica de como o vinho é feito. A transformação do mosto da uva em vinho. A fermentação pode ser natural, a partir das leveduras indígenas, que existem nas cascas das uvas ou no ar, ou pode ser estimulada com o acréscimo de leveduras selecionadas.

O processo ocorre dentro de grandes tanques de aço inoxidável. As leveduras consomem o açúcar das uvas, transformando-o em álcool e dióxido de carbono (o CO2), que é liberado durante a etapa, em forma de borbulhas. Depois que o processo fermentativo termina, de três a dez dias, o vinho pode ser levado para barricas de carvalho para amadurecimento ou não, depende do estilo definido pelo enólogo.

5) Descuba e trasfega

Encerrada a fermentação, o vinho é separado das películas de cascas e sementes, no caso dos tintos. Então é feita a descuba, processo de drenagem da parte sólida e líquida. A bebida fica por baixo, enquanto os sedimentos flutuam. Em seguida, a trasfega é feita, a fim de colocar o líquido em outro recipiente.

6) Filtragem

A filtragem pode ser feita ou não. Depende da proposta do vinho. Atualmente é fácil encontrar exemplares que não foram filtrados. Essa etapa retém resíduos que possam ter permanecido em contato com o líquido, tornando o vinho mais límpido e brilhante.

7) Clarificação e estabilização

A clarificação é feita com substâncias proteicas que absorvem e depositam sedimentos no fundo do recipiente. Também é um processo não obrigatório. A função é clarificar o líquido. A estabilização é feita com substâncias proteicas também com o objetivo de manter a estabilidade do vinho em temperaturas altas e baixas.

8) Engarrafamento e rotulagem

Aí é hora de engarrafar o vinho, inserir o vedante, seja rolha, screw cap ou vinolok e, finalmente, aplicar o rótulo. O vinho pode ficar um tempo na adega para manter o repouso ou até um longo tempo, no caso dos que amadurecem nas próprias garrafas. Depois eles são comercializados. Agora que você já sabe como o vinho é feito, é hora de abrir uma garrafa e brindar!