/Por Ana Beatriz Miranda

Existe uma máxima que diz que um grande vinho começa na vinha. Para atingir seu potencial máximo, a videira precisa de condições geográficas ideais. Altitude, latitude, clima, tipo de solo e geopolítica.

Temperatura

Cada variedade de uva alcança seu patamar de qualidade com uma combinação diferente desses fatores. Há castas que gostam de climas mais frios, como a Pinot Noir e a Riesling, enquanto outros preferem climas quentes, como a Nebbiolo e a Sangiovese.

Clima

Além da temperatura média, o clima é influenciado pela chuva, umidade, vento, geada, granizo e incidência solar. Tudo isso afeta o ciclo da videira, da espessura da casca da uva até a concentração de taninos, açúcares e acidez. É consenso entre os especialistas que as melhores safras são as que não tiveram uma instabilidade climática, sem chuvas fortes ou temperaturas extremas.

Altitude

A altitude é um fator relacionado ao clima, ao crescimento das videiras e amadurecimento das uvas. A alta altitude é benéfica porque garante temperaturas mais baixas à noite, mais elevadas de dia e maturação mais lenta das castas.

A boa amplitude térmica, diferença entre a maior e menor temperatura em um dia, ajuda na conservação da acidez e na elaboração de vinhos elegantes e com potencial de guarda. Então noites frias são perfeitas para os vinhedos. Como ficam no alto, as videiras acabam recebendo luz do sol mais diretamente, concentrando taninos e intensidade de cor.    

Tipo de solo

São vários os tipos de solos propícios para o cultivo das vinhas. Areia, argila, seixos, rochas, calcário e mais um monte de combinações entre eles. O solo determina a disponibilidade de nutrientes para a planta, drenagem e retenção de água e tem até relação com o microclima local.

As videiras pedem solo com pouco nutrientes e que não seja pantanoso. Isso faz com que elas concentrem mais energia na sobrevivência e menos no tamanho das uvas e quantidade de cachos. Vinhedos com menor quantidade de cachos dão uvas mais concentradas e com maior qualidade.

Solos arenosos costumam dar origem a vinhos mais sofisticados, enquanto os argilosos exemplares mais encorpados.

Geopolítica

No mundo do vinho, cruzar fronteiras é um divisor de água. Cada região determina suas próprias regras de elaboração, do que deve constar no rótulo e quais são as melhores práticas. A legislação relacionada à nossa bebida favorita varia de país para país. Mas todas foram criadas para combater a fraude e proteger o consumidor.

É interessante perceber que o que vale para um lugar não necessariamente vale para outro. Nos Estados Unidos, por exemplo, para ser chamado de varietal, um vinho de Pinot Noir pode ter só 75% de uma variedade. Na Austrália, essa porcentagem sobe para 85%, mas na França, especificamente na Borgonha, um Bourgogne Rouge será 100% Pinot Noir.