Confira o que significam os termos usados no mundo do vinho.

Acidez

Associado ao frescor do vinho, a acidez é um componente natural que contribui para o equilíbrio e a longevidade da bebida. São vários os agentes ácidos que compõem esse paladar, sendo os principais o cítrico, o tartárico, o málico e o lático. Preste atenção se sua boca vai se encher de água no próximo gole: a acidez provoca a produção abundante de saliva.

Açúcar residual

É o açúcar natural da uva, o mesmo que alimenta as leveduras e as converte em álcool etílico e dióxido de carbono. É a quantidade de açúcar no mosto que determina o teor alcoólico do vinho e também o açúcar residual — ou seja, o açúcar que não foi consumido pelas leveduras e dá a sensação de dulçor à bebida.

Adstringente

Adstringente é o vinho tinto com muito tanino, que produz a sensação excessivamente áspera no paladar. Normalmente, é um vinho muito duro se degustado quando jovem, mas que evolui bem com os anos, pois o contato pequeno e gradual com o oxigênio é capaz de torná-lo mais aveludado.

Antocianinas

Antocianinas são os pigmentos vermelhos da uva que conferem sua cor aos vinhos tintos. A coloração vermelho violeta dos vinhos jovens é uma característica quase exclusiva das moléculas de antocianinas. Elas são bastante instáveis, se ligam aos taninos, ao decorrer do envelhecimento, para dar ao vinho sua cor vermelho rubi.

Assemblage

Assemblage é uma palavra francesa que significa criar um vinho a partir da mistura de dois ou mais vinhos de uvas, de vinhedos, de regiões ou mesmo de safras. A intenção do enólogo é unir características complementares, tornando a bebida mais rica em sabores e aromas. A expressão em português chama-se corte e, em inglês, blend.

Barrica

Durante a produção, alguns vinhos são colocados em grandes recipientes de madeira (as barricas), que podem ser de carvalho francês, americano ou de outras origens, para o processo de maturação. É ali dentro que a bebida se transforma, ganhando aromas, sabores e textura.

Bâtonnage

Técnica usada para agitar os sedimentos (leveduras inativas e resíduos da uva) depositados no fundo dos recipientes após a fermentação. É feita durante a elaboração de vinhos brancos fermentados em barris de carvalho, o que ajuda a enriquecer aromas, clarificar naturalmente e prevenir oxidação.

Bouchonné

Diz-se de um vinho que tem um forte cheiro de rolha (em francês, bouchon) ou de pano molhado. É um defeito que torna o vinho geralmente intragável. Esse fenômeno, irreversível e bastante raro, se deve a um desenvolvimento de certos mofos específicos da cortiça.

Cepas

São também chamadas de castas, variedades ou, simplesmente, uvas. Cabernet sauvignon, malbec, merlot, syrah… Esses são exemplos de cepas que vieram de uma única espécie: a Vitis vinifera. Traduzindo: uvas viníferas, frutas que são próprias para a produção de vinhos finos — diferente daquelas que compramos em mercados.

Colheita tardia

Também chamado de late harvest, é um vinho geralmente doce, do tipo de sobremesa, feito de uvas que são deixadas na videira várias semanas após a data ideal de vindima – o que concentra o teor de açúcar da fruta. As castas mais comuns em vinhos de colheita tardia são riesling, sauvignon blanc, gewürztraminer e sémillon.

Crianza

Crianza é uma designação utilizada nos vinhos espanhóis que são objeto de envelhecimento em barril. Con crianza significa que a bebida passou por envelhecimento, enquanto sin crianza significa não sem envelhecimento.

Desengaçamento

Desengaçamento é uma das etapas da vinificação. Consiste em separar as uvas do engaço, que contém em seus pedúnculos óleo e taninos que tendem a tornar o vinho amargo e áspero.

Desequilibrado

É aquele vinho que apresenta um de seus componentes de sabor de forma exagerada, que se sobressai sobre os demais: acidez excessiva, taninos rústicos demais, álcool em demasia ou muita doçura. Uma bebida assim também pode ser chamada de desarmônica.

DOC

É a sigla usada para Denominação de Origem Controlada, termo que classifica os vinhos de acordo com as regras, as características, a qualidade e a origem de produção relacionadas a uma região produtora, como Douro, Dão e Vinho Verde, em Portugal.

Equilibrado

O vinho equilibrado é aquele cujos componentes se apresentam de forma balanceada, de modo que nenhum elemento se faz notar em sobreposição aos demais.

Evoluído

É o vinho que permaneceu na garrafa por um período e conseguiu amadurecer sem perder a qualidade: manteve boa acidez, riqueza de aromas (inclusive terciários) e paladar aveludado. No visual, a coloração da bebida muda de acordo com o tempo. Nos tintos, a cor vai do vermelho intenso ao tom de tijolo. Nos brancos, vai do amarelo-palha ao âmbar.

Fermentação malolática

Processo de fermentação em que o ácido málico transforma-se em ácido lático e produz gás carbônico, tornando o vinho mais macio e com acidez reduzida.

Fortificado

O vinho fortificado, também chamado de licoroso, é o resultado da adição de aguardente vínica ou outra bebida destilada, como conhaque, geralmente durante a fermentação. Parte do açúcar que seria transformado em álcool continua presente no líquido, aumentando a graduação alcoólica e o sabor adocicado. Entre os exemplos ilustres desta categoria estão o Porto, o Jerez e o Madeira.

Frisante

Vinho com características efervescentes, mas com menos gás carbônico – seja natural, seja artificial. Ele passa por apenas um processo de fermentação, sem usar o vinho base, como acontece com os espumantes, incluindo o champanhe e o prosecco. O teor alcoólico também é menor, em torno de 7%.

Guyot

Popular em Bordeaux, guyot é um sistema que permite o crescimento de novos ramos frutíferos a partir de um galho que é renovado anualmente.

Herbáceo

Aroma primário vegetal que vem da própria uva. Também pode surgir quando as uvas são colhidas antes do tempo ou pela ruptura de pequenos galhos ou sementes na prensa.

Jeroboam

Garrafa de tamanho grande, contendo 4,5 litros ou o equivalente a 6 garrafas comuns em Bordeaux, 3 litros ou 4 garrafas em Champagne.

Icewine

Vinho doce feito de uvas congeladas na vinha, uma especialidade alemã e, às vezes, austríaca.

Jovem

Vinho geralmente bastante frutado – tanto no aroma quanto no paladar –, com acidez agradável e pouco tânico. Quando não for recomendado o envelhecimento, deve ser bebido até cinco anos depois de fabricado. O termo também é usado para vinhos recém-elaborados, mas que se destinam ao envelhecimento.

Kabinett

Vinhos brancos secos alemães que nunca são chaptalizados (processo pelo qual o teor alcoólico é elevado adicionando-se açúcar antes ou durante a fermentação).

Lágrimas

Também chamadas de pernas, são as finas gotas de vinho que escorrem pela borda interna da taça. Primeira etapa da análise sensorial, conseguem indicar o corpo, a doçura e, principalmente, o teor alcoólico da bebida – lágrimas em abundância, juntas e mais lentas para descer significam que o vinho tem maior quantidade de álcool, e vice-versa.

Leveduras

Cogumelos microscópicos unicelulares que podem ser encontrados naturalmente na película da uva.

Maceração

Etapa importante na vinificação, a maceração é o período em que o sumo da uva esmagada fica em contato com a casca da fruta. Essencial na produção de tintos, faz com que a bebida ganhe cor e tanino. Um ligeiro contato com as cascas tintas gera os rosés. Brancos não passam por esse processo.

Macio

O vinho macio é o que permaneceu na garrafa por um período e conseguiu amadurecer sem perder a qualidade: manteve boa acidez, riqueza de aromas (inclusive terciários) e paladar aveludado. No visual, a coloração da bebida muda de acordo com o tempo. Nos tintos, a cor vai do vermelho intenso ao tom de tijolo. Nos brancos, vai do amarelo-palha ao âmbar.

Mosto

O estágio polpudo intermediário entre o suco de uva e o vinho durante a vinicultura.

Non-vintage

Termo usado especialmente para vinhos espumantes e champanhe. Para estipular que um vinho não é vintage-dated (com uma única data de colheita das uvas), mas uma mistura do produto de anos diferentes. Uma abreviatura comum é NV.

Organolépticas

Características organolépticas são aquelas percebidas pelos sentidos humanos, como visão, olfato e paladar. São os itens encontrados durante a análise sensorial: cor, translucidez, aromas, sabores, textura, maciez, retrogosto e etc.

Pé franco (Pie franco):

É como se denominam as videiras livres de enxertos. Antes da filoxera ou não. Elas se desenvolvem em qualquer vinhedo com solos ricos em areias, pois freiam o desenvolvimento de pragas. Há um consenso de que vinhos de pé franco têm muita personalidade e características diferenciadas daqueles provenientes de variedades enxertadas.

Sur lie

Termo francês que significa “sobre as borras”. É uma técnica de amadurecimento muito utilizada em espumantes e brancos, quando o vinho fica em contato com as borras (restos de leveduras e sedimentos do vinho) após a fermentação. Isso confere elegância, maciez, estrutura e complexidade aromática à bebida.

Vintage

Vintage é uma palavra francesa que indica o ano em que as uvas foram colhidas. Em certas regiões, designa vinhos produzidos em safras excepcionais, como o champanhe e o Porto. Por causa da alta qualidade, o vinho vintage normalmente é de guarda — e o tempo ajuda a melhorar ainda mais a estrutura da bebida, polindo sabores e aromas.