/Por Ana Beatriz Miranda

O vin de paille ou vinho de palha é uma bebida encantadora, um verdadeiro tesouro de Jura, na França. A região é bem pequena, espremida entre a Borgonha e a Suíça, mas elabora vinhos espetaculares, entre eles o célebre vin jaune, o vinho amarelo.

O vin de paille é uma bebida doce, elaborada por um método ancestral, a passerillage (passeragem). É o mesmo usado na elaboração dos italianos Recioto e Soave di Valpolicella (método appassimento, em italiano). No início da colheita, os melhores cachos das uvas permitidas são selecionados. As brancas Chardonnay e Savagnin e a tinta Poulsard.

Tradicionalmente as uvas vão para esteiras ou leitos de palha, daí o nome, para desidratarem e concentrarem açúcares. Hoje é usada também a técnica de pendurar os cachos em ganchos ou armazená-los em caixas de madeira furadas em salas secas e ventiladas não aquecidas.   

As uvas devem permanecer minimamente seis semanas secando. Geralmente elas ficas de três a cinco meses. Depois que atingem o nível máximo de concentração de açúcar, os cachos das uvas são desengaçados e prensados. O rendimento é baixo, é claro. O mosto resultante, riquíssimo em doçura, fermenta natural e lentamente até que o vinho atinja entre 14 e 18,5% de teor alcoólico.

Em seguida, o vin de paille vai para barricas de carvalho e fica lá de 18 meses a três anos antes de ser comercializado. É uma bebida longeva, com capacidade de guarda surpreendente. Cada gota, uma intensidade única.  

Se a uva tinta Poulsard for usada na elaboração, o vinho adquire tons de mogno. Se forem usadas só uvas brancas, ele vai de amarelo-dourado a âmbar. Os aromas mais comuns são de frutas cristalizadas, bolo de frutas, mel, pão condimentado, frutas secas, tâmara, figo, caramelo e especiarias. A harmonização perfeita é com foie gras.

Além de ser um tesouro do Jura, há outras regiões da França que produzem rótulos similares ao vin de paille original, como Tain l’Hermitage, Beaumont-du-Ventoux, Corrèzee e Cap Corse.