/Por Daniel Salles

“Se o primeiro vinho que sair daqui não for bom, será um demérito para a região e os futuros produtores”, declarou, não faz muito tempo, Fabiano Borré. A frase espelha a cautela por trás da nova missão da fazenda da qual ele é o CEO, a Progresso, que se espalha por 20 mil hectares da Chapada Diamantina, na Bahia.

A nova empreitada é a Uvva, vinícola que remonta a 2012, quando as espécies cabernet sauvignon e sauvignon blanc foram plantadas em 2 hectares da propriedade. A primeira safra à venda, a de 2019, foi lançada no mês passado, em fevereiro. São cinco varietais (cabernet sauvignon, cabernet franc, petit verdot, chardonnay e sauvignon blanc) e dois blends tintos.

“A qualidade e a identidade estão à altura da Chapada Diamantina”, orgulha-se o CEO. Inicialmente, as 55 mil garrafas da safra podem ser adquiridas na loja da vinícola, localizada no município de Mucugê, a 450 quilômetros de Salvador, ou por meio do site da empresa. A meta é produzir 300 mil garrafas por ano. 

Bagagem concentrada

Borré, que acumula o cargo de presidente da Uvva, pertence à terceira geração da família que fundou a Progresso, em 1984. Inicialmente, a fazenda somava 900 hectares, que já foram multiplicados 22 vezes. A propriedade ganhou fama pela produção de batata e de cafés especiais.

É nela que são colhidos os grãos da festejada marca Latitude 13, que pertence à família Borré e ao casal formado pelo paulistano Luca Giovanni Allegro e por Juleilda Allegro, baiana de Cairu. O desejo de fincar raízes também no mercado de vinhos se deve à origem da família dele, do Rio Grande do Sul.

Foi onde nasceu o enólogo responsável, Marcelo Petroli, mais exatamente em Bento Gonçalves. Com a experiência de quem trabalhou por anos na Miolo, inclusive na operação do grupo no Vale do São Francisco, na Bahia, o profissional faz parte do time da Uvva há oito anos.

“O primeiro passo foi atestar a qualidade do terroir para a viticultura”, recorda ele. Os vinhedos, que hoje somam 52 hectares e dez espécies de uva, situam-se a 1.215 metros, em média, do nível do mar.

O solo é arenoso, argiloso e relativamente fácil de se trabalhar. Já os verões são chuvosos – vide os temporais que castigaram o sul da Bahia neste começo de ano – e os invernos, secos, com oscilação térmica diária de até 20 °C.

“Essa última característica reduz a velocidade da evolução dos açúcares das uvas, o que favorece a maturação fenólica”, salienta Petroli. Para ele, os rótulos da Uvva destacam-se, sobretudo, pela complexidade aromática, pela boa acidez e pelo potencial de guarda. 

Repetição de conhecimento

A vinícola é mais uma a se valer do método de inversão do ciclo da videira. Adotado por boa parte das novas marcas situadas do sudeste do país para cima, prega que a colheita não ocorra no verão, como reza a tradição brasileira, mas no inverno, cujo clima coincide com o das vindimas do Hemisfério Norte.

Para funcionar, no entanto, são necessárias duas podas – é de praxe uma só: a primeira, para a formação de ramos, ocorre por volta de agosto; a que é para valer se dá em janeiro. Defendido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), o método é adotado pela badalada Guaspari, pioneira na produção de vinhos de qualidade em Espírito Santo do Pinhal, no interior de São Paulo.

Depois que ela ficou conhecida, mais 11 vinícolas, pelo menos, brotaram num raio de 100 quilômetros – todas adeptas da dupla poda. Hoje com presença cativa nas adegas dos restaurantes mais respeitados do eixo Rio-SP e nas graças de diversas autoridades do mundo do vinho, a Guaspari, cujas videiras começaram a ser plantadas em 2006, é uma clara inspiração para a Uvva.

Outra que conquistou o mesmo objetivo traçado pela vinícola diamantina – transformar em sinônimo de grandes vinhos uma região sem tradição no assunto – é a Bodega Garzón, de Alejandro Bulgheroni, o homem mais rico da Argentina.

Ela fica nas encostas de Pueblo Garzón, no Uruguai, a 75 quilômetros de Punta del Este, e começou a brotar em 2007, quando a região era tão associada a vinhos quanto Salvador é ligada aos esportes de neve.

Em 2018, a Garzón foi eleita pela prestigiosa revista Wine Enthusiast como a vinícola do ano no novo mundo. É só uma de várias distinções colhidas até aqui. 

Expectativa nas prateleiras

Os primeiros rótulos da novata foram vinificados, de 2014 a 2017, na unidade da Embrapa em Petrolina, em Pernambuco. Não passaram de experimento, assim como a primeira safra elaborada até o fim na própria Uvva, no ano seguinte.

“Os primeiros resultados mostraram que estamos no caminho certo e os feedbacks têm sido muito positivos”, gaba-se Petroli. “Em breve, inscreveremos nossos vinhos em concursos.”

O ano de 2018 também foi marcado pelo início das obras da sede. Projetada pela arquiteta gaúcha Vanja Hertcert, especializada no universo dos vinhos, prima pela discrição. Com direito a telhado coberto por vegetação, tem quatro andares, um deles debaixo da terra, e um total de 5 mil metros quadrados de área construída.

“O projeto poderá ser uma nova força motriz para o desenvolvimento regional”, afirma o CEO. Divulgou-se, inicialmente, que a vinícola iria custar 50 milhões de reais (a cifra atual não é revelada). Aberta ao público em fevereiro, futuramente ganhará um hotel. 

vinho
Brasil
Região: Serra Gaucha
2020 / 750 ml / ROSE
Vinho Rose Fausto Merlot 2020
R$ 81,18
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vinho
Brasil
Região: Serra do Sudeste
750 ml / ESPUMANTE
Lidio Carraro Faces do Brasil Brut
R$ 83,65
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vinho
Brasil
Região: Serra do Sudeste
750 ml / ESPUMANTE
Lidio Carraro Faces do Brasil Brut Rose
R$ 81,18
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vinho
Brasil
Região: Campanha Gaúcha
2014 / 500 ml / TINTO
Vinho Tinto Pueblo Pampeiro Indomito Tannat Licoroso 2014
R$ 151,76
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vinho
Brasil
Região: Serra do Sudeste
2018 / 750 ml / TINTO
Vinho Tinto Lidio Carraro Dadivas Pinot Noir 2018
R$ 151,76
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vinho
Brasil
Região: Serra da Gaucha
750 ml / ESPUMANTE
Espumante Garibaldi Prosecco Ice Demi-sec
R$ 55,29
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vinho
Brasil
Região: Serra Gaucha
750 ml / ESPUMANTE
Espumante Garibaldi Pinot Noir Brut Rose
R$ 55,29
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