/Por Ana Beatriz Miranda

A rolha de cortiça, sobretudo a maciça, é o vedante mais estimado pelos amantes do vinho. Ela é peça fundamental do momento ritualístico de abertura da garrafa e traz certo apego aos enófilos mais puristas. Mas você sabe de onde vem a cortiça? Da casca de uma árvore chamada sobreiro

Como é o sobreiro?

Sobreiro é uma árvore perene com copa grande que tem de 15 a 25 metros de altura. Ele é das famílias das Fagáceas, a mesma da castanheira e do carvalho, e seu nome científico é Quercus suber L. Suas folhas são persistentes, ou seja, não caem, e seu fruto é a bolota, usada na alimentação de animais, produção de farinhas e óleos. É uma árvore que vive bastante tempo, chegando a 200 anos. 

O sobreiro é uma árvore de regiões temperadas e subtropicais do Hemisfério Norte. É possível encontrá-la em Portugal, Espanha, Itália, Marrocos, Argélia e Tunísia, mas o país lusitano é o que mais produz cortiça. Há bosques de sobreiro espalhados por toda a extensão de Portugal

Em quanto tempo um sobreiro dá cortiça?

Para se fazer a primeira extração de cortiça, é preciso que o sobreiro atinja 25 anos. Porém, só na terceira extração, em aproximadamente 43 anos, que a cortiça atinge a qualidade necessária para as rolhas. Sendo assim, os primeiros descortiçamentos são destinados a outros fins, como pavimentos, isolantes térmicos, artigos de design e moda. A extração é feita da casca do sobreiro de forma artesanal e manual. Em cada retirada, pode-se obter de 40 a 60 kg de cortiça. 

Sustentável e generoso

O sobreiro é considerado uma árvore generosa porque é resistente, resiliente e oferece muito mais do que retira do meio. As folhas são usadas como forragem e fertilizante, o que sobra das podas vira lenha e carvão vegetal, os taninos e ácidos naturais da madeira viram produtos químicos e insumos na indústria da beleza.

Além disso, faz regulação hidrológica, protege o solo, conserva a biodiversidade das áreas onde é cultivado e ainda retira carbono da atmosfera. Não por acaso, o sobreiro era reverenciado como símbolo de liberdade e honra na Grécia Antiga. Vida longa à árvore da cortiça!