A rolha de cortiça é o vedante mais cobiçado que existe. Ela tem relação direta com o ritual de degustação. Há quem diga, inclusive, que o sentido da audição é envolvido pela retirada da rolha, já que o som estimula a expectativa de apreciação do vinho.

Quanto à eficiência da vedação, a cortiça é tão boa quanto outros vedantes, embora os mais puristas tenham preferência por ela. De qualquer maneira, a cortiça revolucionou a indústria da bebida no século 18, ao preservar o líquido e aumentar o potencial de guarda. Sua importância é histórica e explica o tradicionalismo. 

Rolhas de cortiça e suas variações

Rolha de cortiça natural

É produzida por brocagem (tipo de corte feito com uma broca apropriada), a partir de uma peça única de cortiça, geralmente com forma cilíndrica ou cônica, e com medidas diferentes.

As de formato mais longo são indicadas para vinhos que possam passar por um estágio médio ou grande em garrafas, os vinhos de guarda. Existe uma classificação comercial que as divide em categorias de qualidade segundo critérios visuais, cuja nomenclatura é flor, extra, superior, 1°, 2°, 3°, 4°, 5°.

Rolha colmatada

É uma rolha de cortiça natural cujos poros são preenchidos com pó de cortiça (resultante da retificação de rolhas naturais), em um processo que utiliza colas à base de resina natural, borracha natural ou água.

Tem o objetivo de melhorar o aspecto visual e a performance das rolhas naturais. É considerada uma alternativa às rolhas naturais para vinhos de consumo rápido e é produzida em variadas formas e dimensões.

Rolha técnica

A rolha técnica tem um corpo denso de cortiça aglomerada, com discos de cortiça natural colados em ambas as extremidades. A que possui apenas um disco em cada extremidade é chamada de 1+1, e a que tem dois discos em apenas uma extremidade é chamada de 2+0.

Foram criadas para vedar vinhos de consumo rápido, em cerca de 2 a 3 anos. Para colar os discos no corpo de cortiça aglomerada são usadas colas aprovadas para contato com alimentos.

Rolha aglomerada

É composta por granulados de cortiça originados como subprodutos da produção das rolhas naturais. Eles são unidos por uma cola aprovada para entrar em contato com alimentos.

A rolha aglomerada pode ser fabricada por moldagem individual ou por extrusão. É recomendada para vinhos de consumo rápido, de menor preço e alta produção.

Rolha multipeça

A rolha multipeça é fabricada a partir de pedaços menores de rolha de cortiça natural, podendo ser composta por duas metades ou por mais pedaços, extraídos de uma peça de cortiça mais fina, que não seria usada para fazer a rolha de cortiça natural de uma só peça.

A cola que se utiliza para unir as partes é certificada para entrar em contato com alimentos. São utilizadas em garrafas grandes, cujo formato exige rolhas de maior calibre, difíceis de fabricar a partir de uma única peça.

Rolha capsulada

A rolha capsulada tem uma cápsula feita de materiais como PVC, madeira, metal, vidro e porcelana em seu topo. Pode ser reutilizada.

Por isso, ela é recomendada para vinhos que não serão consumidos de uma só vez, como alguns vinhos fortificados (Porto, Madeira, por exemplo) e vinhos doces (como o Moscatel de Setúbal), bebidas destiladas, licores, etc.

Rolha de espumante

É especialmente concebida para vedar bebidas com grande concentração de gás, como os espumantes. Ela tem maior diâmetro que as rolhas comuns para aguentar a pressão interna das garrafas de bebidas gasosas.

Tem semelhança com as rolhas técnicas, pois pode ser composta de cortiça aglomerada com um ou dois discos de cortiça natural em uma extremidade (0+1 e 0+2).