/Por Ana Beatriz Miranda

O vinho é resultado de multifatores que se relacionam entre si. O que se pode controlar e o imprevisível. O terroir, termo francês sem tradução, envolve clima, técnicas de elaboração, solo, subsolo, relevo, altitude, umidade, além da mão do produtor e enólogo. Os tipos de solo que existem são muitos e cada um deles confere características diferentes às uvas que serão refletidas na bebida. 

O solo tem o papel de nutrir e sustentar os vinhedos. Ele também absorve a luz e o calor do sol, energizando as vinhas. A elaboração de um vinho começa muito antes da colheita, ainda no cultivo da videira, em que os produtores devem saber a fundo como é o solo da região, sua composição, se ele está saudável e sem pragas. 

A permeabilidade do solo, seus aspectos físicos e químicos, grau de fertilidade, por exemplo, têm relação direta com a qualidade das uvas. Um terreno com bastante matéria orgânica e mineral beneficia o crescimento das folhas, mas gera frutos insossos.

Por isso, o solo ideal para o cultivo das videiras deve ser menos fértil. A umidade excessiva costuma ocasionar fungos em folhas e frutos, logo é importante que o solo tenha boa drenagem, o que é mais comum em relevos mais acidentados. 

Tipos de solo: conheça os principais

Solo argilo-calcário

Esse tipo de solo é conhecido por ser excelente na drenagem e retenção de água. Essa é uma virtude do calcário, que acrescenta requinte. A argila garante um frescor interessante e estrutura. É uma terra rica em nutrientes que vêm da matéria orgânica e dos minerais, principalmente quartzo e zircão.

De forma geral, os vinhos feitos a partir de uvas do solo argilo-calcário são elegantes e cheios de personalidade. Bordeaux, Champagne, Borgonha e Toscana são exemplos de regiões que o possuem. 

Solo calcário

O solo calcário, sem a presença da argila, tem bastante carbonato de cálcio e pouca matéria orgânica. Trata-se de uma rocha sedimentar formada pela decomposição secular de moluscos, peixes e corais. Esse solo tem boa capacidade de retenção hídrica e contribui para uma maior acidez nas uvas.

Vale do Loire, Champagne, Borgonha e Jura, na França, Toscana e Piemonte, na Itália, Catalunha e Rioja, na Espanha, Bairrada e Tejo, em Portugal, e Paso Robles, na Califórnia, EUA são regiões que têm esse tipo de solo. Os vinhos são vibrantes, apresentam boa acidez, sofisticação e podem ter notas salinas.     

Solo arenoso

O solo arenoso é ótimo para reter luz e calor do sol e tem potencial de drenagem. Ele costuma ser resistência a pragas. As uvas de videiras plantadas nesse solo são mais concentradas em aromas, sabores e açúcares. Assim, os vinhos são intensos e expressivos. As principais regiões que têm solo arenoso são Piemonte, na Itália, e Mendoza, na Argentina. 

Solo rochoso

Esse tipo de solo é um dos melhores para reter tanto calor quanto água. Suas camadas permitem a boa infiltração hídrica e também que as raízes da videira se ramificam, buscando nutrientes. Xisto, ardósia, seixo e cascalho são exemplos de solo rochoso.

Os vinhos elaborados a partir das uvas cultivadas nele são poderosos e encorpados. Douro, em Portugal, Mosel, na Alemanha, Graves (Bordeaux) e Châteauneuf-du-Pape (Vale do Rhône), França, são regiões com solo rochoso.