/Por Ana Beatriz Miranda

Se alguém perguntar a qualquer enófilo ou simpatizante de mitologias quem é o deus do vinho, a resposta provavelmente será Baco. Embora essa divindade romana seja a mais lembrada, ela não é a única e nem a primeira relacionada à nossa bebida favorita. Conheça os principais deuses do vinho.

Deuses do vinho

Mitologia grega: Dionísio 

Dionísio é a versão grega de Baco. Há duas histórias da mitologia grega que narram o nascimento dele. A primeira diz que Zeus engravidou Sêmele, uma mortal. Hera, esposa de Zeus, fica louca de ciúmes e induziu Sêmele a pedir a Zeus que se mostrasse em todo seu poder.

Ele faz isso e acaba fulminando Sêmele. O filho sobrevive, Zeus o retira das cinzas e o coloca na sua própria coxa para terminar a gestação. A segunda conta que, na verdade, Dionísio é filho de Zeus com a deusa Perséfone e que ele teria nascido antes de ela ser sequestrada por Hades

Sobre sua relação com o vinho, a mitologia grega diz que Dionísio encontrou uma pequena e frágil planta verde, que ele achou muito bonita. Ele decidiu guardá-la dentro do osso de um pássaro para protegê-la. Ela cresceu e ele colocou-a em um osso de leão.

A plantinha continuou crescendo e ele a trocou para um osso de burro. Quando as uvas brotaram, Dionísio experimentou e adorou. Guardou, então, um pouco para depois. Quando ele foi olhar mais tarde, viu que as frutas tinham se transformado em um líquido maravilhoso, o vinho

A partir daí, há várias histórias que contam como a bebida foi disseminado pelo mundo, a partir dos filhos de Dionísio.

Mitologia romana: Baco

A mitologia romana incorporou Dionísio como Baco. O deus romano foi o responsável por ensinar o cultivo das videiras e a técnica de vinificação para os homens. Ele também era o deus da fertilidade e liberdade, ligado à agricultura, à boemia e ao teatro. As histórias de nascimento de Baco são similares às gregas.  

Egípcios

Antes dos gregos e romanos, os egípcios já cultuavam um deus do vinho, Osíris. Ele também era o deus da agricultura e da vida após a morte. Criador da civilização, foi Osíris que cultivou uma videira pela primeira vez e pisou nas uvas até criar o vinho.

Além de Osíris, outros deuses egípcios têm relação com o vinho, como , Hórus e Hator. Acreditava-se que o líquido era o suor de Rá e as lágrimas de Hórus. Hator era a deusa do amor, da música, da fertilidade, da beleza, da alegria e esposa de Hórus. Os egípcios diziam que os olhos dela eram feitos de uvas e que, por ser uma deusa temperamental, no fim dos cultos a ela, era oferecido vinho para acalmá-la. 

Persas

Os persas tinham Djemchid, o semideus do vinho. A lenda dizia que um pássaro jogou sementes aos pés dele e que o semideus as transformou em uvas. Ele estava mal e tentou se envenenar com o sumo das frutas, mas na verdade se sentiu muito melhor, mais alegre e disposto. Assim, o vinho se tornou sagrado.

Outra versão persa diz que a bebida foi descoberta pelo rei Yamshid. Ele adorava uvas e, como não conseguia consumir todas que ganhava, as guardava em ânforas. Um dia ele viu que elas tinham virado um suco fermentado e ordenou que fosse jogado fora, pensando ser um veneno. Uma de sua concubinas, que tinha sido banida, resolveu tomar o líquido para dar fim a própria vida, mas descobriu que ela dava prazer e a tornava mais desinibida.

Ela se ofereceu ao rei que ficou intrigado com seu comportamento e descobriu que era por causa da bebida misteriosa. Ele provou, se apaixonou e difundiu a produção do vinho.