/Por Ana Beatriz Miranda

Já percebeu que, ao girar a taça de vinho, o líquido circula e se movimenta deixando rastros no vidro ou no cristal? E que essas marcas podem escorrer pelo interior do bojo? São as chamadas lágrimas do vinho. Elas fazem parte da análise visual da bebida na degustação. Outros nomes informais para as lágrimas são arcos, arcadas, pernas, abóbodas. Tecnicamente, elas são denominadas arquetes

Como em muitos outros assuntos do mundo da nossa bebida favorita, as lágrimas têm seus mitos e verdades. Não é verdade que elas têm relação com glicerina e gordura, tampouco com a qualidade do vinho e nem que diz respeito apenas ao teor de açúcar. Elas podem, sim, indicar nível de açúcar, mas também estrutura, densidade e teor alcoólico

As lágrimas do vinho surgem a partir das características físico-químicas da água e do álcool. Mais especificamente pela diferença da tensão superficial desses componentes. No século 19, dois cientistas, Carlo Marangoni e James Thompson, estudaram a fundo o fenômeno, que é chamado de Efeito Marangoni

Como elas são formadas?

Quando a taça é girada, uma película bem fininha se forma na parede dela e, por capilaridade, o vinho sobe. O álcool evapora mais rapidamente que a água, por sua volatilidade, e a alta tensão superficial na parede da taça faz com que o líquido escorra como lágrimas, em filetes. Simples assim.

Análise das lágrimas do vinho

A análise das lágrimas deve ser feita durante a observação visual. A taça, é claro, deve ser transparente e de bom material. Para observar a formação das lágrimas, gire o líquido e espere uns segundos. Se houver muitas, elas estiverem juntas e descerem lentamente, o vinho tem alto potencial alcoólico. Poucas lágrimas, que escorrem rapidamente, indicam menos álcool. Quanto maior o teor de açúcar, mais viscosidade as lágrimas terão.