/Por Adriana Setti

Do outro lado do mundo, os ozzies encaram o vinho com a mesma leveza que imprimem a seu dia a dia – no worries, mate. Visitar as cellar doors, espaços para degustar e comprar diretamente do produtor, é um programa informal e descomplicado.

Às vezes, nem é preciso pagar para provar as pratas da casa e a degustação vai ficando mais fascinante ao passo que o vendedor detecta um interesse genuíno do visitante. Em outros casos, basta desembolsar uma pequena taxa (entre 10 e 15 dólares australianos).

O mesmo jeitão livre, leve e solto parece reger a forma como os enólogos do país experimentam com variedades e ousam nos blends. Em uma nação que conquistou a independência em 1901, tradição não é o prato forte da casa. A rolha, aliás, é coisa do passado e a maioria das garrafas vem com tampinhas de metal

Negócio sério

Toda essa leveza não significa que o vinho não seja encarado com comprometimento. Cerca de 2.156 vinícolas e 6 mil viticultores se distribuem por 65 regiões, contribuindo com mais de 45 bilhões de dólares anuais para a economia australiana.

Com 23 milhões de habitantes, o país é o sexto maior produtor mundial de vinho, e, tendo a shiraz como a uva mais emblemática, já domina mercados externos importantes, como o do Reino Unido.

Responsável por 52% da produção nacional, a Austrália Meridional é o berço de alguns vinhos mais cobiçados do país, além de um destino e tanto para fazer enoturismo. “Somos extremamente sérios quando o assunto é fazer o vinho, mas só até o momento em que ele chega à garrafa; a partir daí, é só diversão”, diz Chester Osborn, da D’Arenberg, um dos enólogos mais famosos da região, inconfundível com seus cabelos longos e suas camisas ultracoloridas.

O melhor de McLaren Vale

Entre a cordilheira de Mount Lofty e as praias do Golfo de St. Vincent, a 40 quilômetros da simpática Adelaide, capital da Austrália Meridional, McLaren Vale tem algumas das vinhas mais antigas do país, plantadas em 1838.

Distribuídas por colinas suaves regidas por um clima mediterrâneo, a região reúne as condições ideais para o cultivo da shiraz (52% do território), mas também tem lugar ao sol para variedades como a cabernet sauvignon, a chardonnay (segunda principal variedade na Austrália) e a grenache, responsável por alguns dos vinhos mais especiais do vale.

Assim como em grande parte do país, a imigração do pós-guerra, a partir do fim dos anos 1940, permitiu que os italianos imprimissem sua cultura na região, introduzindo novas variedades de uvas e o cultivo de oliveiras. Ou seja, você também vai encontrar ótimos azeites de oliva por ali.

Onde comer

Entre as vinícolas que valem a pena visitar, não perca as históricas Coriole e Wirra Wirra. Também inclua no roteiro a Chapel Hill, que ocupa uma antiga igreja de 1865.

Para ver de perto o trabalho dos enólogos mais inovadores, vá à Aphelion, à Alpha Box & Dice – onde a cellar door mais se parece com um bar hipster de Melbourne – ou à Hither & Yon, cujo espaço de degustação ocupa um antigo açougue de 1860.

Almoçar nas vinícolas também é um programaço. E se tiver de escolher apenas um restaurante, o tiro certo é o Cube, na D’Aremberg, dentro de um edifício cúbico que gira sobre os vinhedos – atualmente, abriga uma exposição do pintor espanhol Salvador Dalí.

Outra delícia de lugar para almoçar é o The Currant Shed, do enólogo Hamish Maguire. A farta lista de lugares ainda inclui a Russell’s Pizza e o Star of Greece, de frente para o mar, em Port Willunga.

Não deixe de visitar o badalado farmers’ market do vilarejo de Willunga e fazer um piquenique entre as vinhas. O mercado rola aos sábados das 8h30 às 12h30 e é considerado um dos melhores da Austrália Meridional.  

O reino da Cabernet Sauvignon

Terra da cabernet sauvignon no país da shiraz, a região de Coonawarra fica a 380 quilômetros de Adelaide – um pulinho para os padrões continentais da Austrália.

Pelo caminho, dá para fazer paradas em algumas praias, mantendo o olho atento para avistar cangurus selvagens e coalas. A despeito dos belos vinhos dessa terra vermelha (terra rossa), o turismo na região é quase inexistente e a sensação é a de estar num lugar remoto (o que, de certa forma, é verdade).

Ninguém por ali parece saber o significado de estresse. Em vinícolas como a Di Giorgio, onde a família de origem italiana também dá aulas de como fazer massa, a Majella e a famosa Wynns, onde você pode se arriscar a fazer o próprio blend, as conversas e degustações não têm pressa para acabar.

Quando a fome bater, reserve uma mesa no Pipers of Penola, restaurante mais bacaninha da região, ou junte-se aos locais no pub-raiz Royal Oak Penola, que traduz com precisão o jeitão meio faroeste de Coonawarra.

Vinhos da Uva Shiraz

vinho
França
Região: Languedoc-Roussillon
2019 / 750 ml / ROSE
Vinho Rosé Maison Pourthié Syrah 2019
R$ 100,00
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vinho
Itália
Região: Sicília
2016 / 750 ml / TINTO
Vinho Tinto Trovati Syrah 2016
R$ 102,35
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vinho
Chile
Região: Valle del Maipo
2015 / 750 ml / TINTO
Echeverria Quasar Wines Limited Edition Syrah 2015
R$ 234,12
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vinho
Australia
Região: Victoria
2017 / 750 ml / TINTO
Tournon Victoria Shiraz Mathilda 2017
R$ 351,76
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vinho
Australia
Região: Western Victoria
2016 / 750 ml / TINTO
Tournon Pyrenees Shiraz Shays Flat Vineyard 2016
R$ 351,76
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