/Por Ana Beatriz Miranda

Nos últimos anos, áreas florestais de diversas regiões quentes e secas do mundo sofreram com grandes incêndios. De forma indireta, mas intensa, as queimadas atingiram também vinhedos, causando o efeito smoke taint.

Em 2017, o Chile foi acometido por um desses incêndios, com impacto no Vale do Maule. Em 2020, Austrália e Estados Unidos tiveram incêndios de proporções enormes, alcançando videiras e destruindo vinícolas.

Smoke taint é o impacto que a fumaça dos incêndios causa nas uvas. Elas podem adquirir aromas e sabores desagradáveis que prejudicam a safra, além da diminuição do caráter frutado. Notas de cinzas, cheiro de cinzeiro, fumaça e borracha queimada são os mais comuns. 

As substâncias responsáveis por eles, que se concentram nas cascas da uvas, são as principais moléculas de Brettanomyces, a levedura indesejada que surge em várias etapas da vinificação e causa defeitos nos vinhos, se em grande quantidade. Brett em níveis equilibrados é considerada qualidade por muitos especialistas, por trazer personalidade à bebida.

O mesmo vale para o smoke taint. Se a exposição à fumaça não tiver sido excessiva, o toque de defumado nas uvas pode até ser bem-vindo. Além disso, recentemente, uma empresa californiana descobriu uma maneira de diminuir o efeito smoke taint e não desperdiçar uvas que sofreram impacto de incêndios. 

São técnicas específicas de vinificação, caras, mas que trouxeram alívio a produtores que perderam safras inteiras por causa da fumaça. Como as mudanças climáticas vem causando um aumento expressivo de episódios de queimadas, é interessante que existam soluções para que o mercado vitivinícola não seja desestabilizado.