/Por Tânia Nogueira

O Piemonte, no norte da Itália, é lindo. Nas Langhe (plural de Langa), onde são feitos os vinhos Barolo e Barbaresco, as colinas cobertas de vinhedos, com os Alpes ao fundo, formam uma paisagem de tirar o fôlego. Há vilas medievais e castelos por todos os cantos, além de museus interessantíssimos.

Ainda assim, boa parte dos viajantes chega ali movida pelo paladar. Junto à trufa branca, o vinho é a principal atração; o Barolo e o Barbaresco, as estrelas. Produzidos com a uva nebbiolo, ambos têm uma complexidade enorme e uma capacidade de guarda invejável. São caros, considerados vinhos para iniciados. Têm uma legião de fãs.

Também são produzidos outros tintos, como Barberas e Dolcettos, brancos de uvas locais e internacionais e bons espumantes, o que faz a diversão dos enófilos que por ali se aventuram.

Apesar disso, só recentemente as vinícolas começaram a se estruturar para receber turistas. Em boa parte das propriedades, o receptivo ainda hoje é feito pela própria família. Essa mescla de profissionalismo e informalidade, em vez de incomodar, torna o destino ainda mais charmoso.

Foco no enoturismo

A Tenuta Monsordo Bernardino, sede da Ceretto Aziende Vitivinicole, nos arredores de Alba, é uma das mais preparadas para receber visitas. O prédio histórico abriga a cave e a estrutura turística. Junto a ele foi construído, em 2009, um mirante que sai do subsolo e avança sobre os vinhedos.

Tem loja e equipe para o enoturismo (com quatro experiências diferentes, de 40 a 190 euros). O grupo mantém ainda dois restaurantes em Alba: o estrelado Piazza Duomo e o informal Piola. Ambos usam ingredientes locais. “Está aí uma gente que entendeu o Piemonte”, diz Lamberto Percussi, sócio da Vinheria Percussi Delivery.

O Villaggio Narrante, propriedade de 120 hectares em Serralunga d’Alba que abriga a vinícola Fontanafredda (e a Casa E. di Mirafiori), dois hotéis, dois restaurantes, um museu e um bosque imenso, pertenceu ao rei Vittorio Emanuelle II e mantém a cave histórica do século 19. Hoje é propriedade de Oscar Farinetti (do grupo Eataly).

O site oferece uma série de experiências que vão de degustação de três rótulos com visita à cantina histórica (30 euros) até pacote com duas noites de hotel para duas pessoas e uma caça à trufa branca (910 euros). O parque é aberto ao público. O prédio da Pio Cesare é belíssimo. As caves foram construídas nos subsolos da cidade de Alba.

As visitas e degustações são exclusivas, para grupos fechados de, no máximo, 15 pessoas. Boa parte das vezes, acontecem para um casal. A vista do terraço para as colinas das várias sub-regiões da DOCG Barolo é o ponto alto da Massolino Vigna Rionda, em Serralunga d’Alba.

Ali a equipe de turismo faz degustações no verão e na primavera. “Antes estávamos fora da rota turística”, diz Franco Massolino. “As pessoas iam a Roma, Veneza, Costa Amalfitana… Não vinham para cá. O acesso era difícil, somos mais fechados. Hoje isso é um atrativo. No Piemonte, você ainda encontra trattorias onde a mãe está na cozinha e o pai e os filhos, no salão.” 

Toque familiar

“Parece bobo, mas, para o visitante, faz diferença encontrar o proprietário da vinícola”, diz Andrea Ferrero, diretor do Conzorcio di Tutela Barolo, Barbaresco, Alba, Langhe e Dogliani, órgão que regula a produção de vinhos em todas essas denominações.

“Em Barolo, há 320 produtores”, conta. “Apenas 20 são grandes vinícolas ou cooperativas. As outras 300 são vinícolas familiares, pequenas. Em Barbaresco, são 130. Nenhuma grande. Os turistas têm procurado por isso.”

A família Adriano, dona da Tenuta Pianpolvere, de Monforte d’Alba, gosta de fazer as coisas à moda antiga: sentar e conversar com as visitas. Isso inclui também a maneira de fazer o vinho, com mínima intervenção. Piero, o atual responsável pela vinificação, nunca frequentou o curso de enologia.

“Aprendi com meu pai e meu avô. Aqui, para fazer bom vinho, você precisa de terreno bem posicionado e tempo.” Eles não exportam nem distribuem o vinho. Guardam tudo para vender na cantina.

Além de provar, comprar garrafas é um dos grandes programas do turista por ali, mas é preciso ser esperto. “Hoje quase não sobra vinho para vender na cantina”, diz Tiziana Pira, responsável pela administração e pelo turismo na Pira Luigi, também em Serralunga d’Alba. Quem faz os vinhos é o marido dela, cuja família gerencia a vinícola há quatro gerações.

“Vendemos tudo, a maior parte para exportação. Antes não era assim. A gente comercializava na feira livre aqui na frente.” A visita e a degustação custam 10 euros.

Para quem não tem tempo de visitar muitas vinícolas, mas quer conhecer vários vinhos, as Langhe têm uma série de cantinas comunais e de enotecas regionais e lojas onde o visitante pode comprar e provar bebidas de diversos produtores. Os atendentes costumam ser muito simpáticos e dispostos a explicar detalhes sobre os vinhos. Afinal, se há uma coisa da qual o piemontês se orgulha é o terroir dele.

Vinhos da Itália na Sociedade da Mesa:

vinho
Itália
Região: Treviso
2018 / 750 ml / ESPUMANTE
Espumante Tutela Prosecco Di Treviso Extra Dry
R$ 102,35
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vinho
Itália
Região: Puglia
2018 / 750 ml / ROSE
Vinho Rose Poggio Alto Zinfandel Blush 2018
R$ 102,35
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vinho
Itália
Região: Sicília
2019 / 750 ml / BRANCO
Trovati Bianco 2019
R$ 81,88
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vinho
Itália
Região: Basilicata
2017 / 750 ml / TINTO
Vinho Tinto Labellum Aglianico Del Vulture 2017
R$ 351,76
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vinho
Itália
Região: Molise
2018 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco Campo In Mare Molise Falanghina 2018
R$ 299,00
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vinho
Itália
Região: Puglia
2018 / 750 ml / BRANCO
Vinho Branco 888 Vermentino Puglia 2018
R$ 87,00
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vinho
Itália
Região: Delle Venezie
2018 / 750 ml / ROSE
Ca’ Lunghetta Pinot Grigio Rosato 2018
R$ 102,35
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