/Por Ana Beatriz Miranda

No mundo do vinho, há rótulos icônicos, emblemáticos, simbólicos, de culto, mas existem alguns poucos que vão além e são míticos. O vinho Petrus é um deles. Esse lendário Merlot é elaborado em Pomerol, uma das mais especiais sub-regiões de Bordeaux, na França. Todo enófilo que se preze sonha em provar o lendário Petrus.  

Contrariando a lógica, o Château Petrus não tem o status de Grand Cru. Seu vinho se destacou pela primeira vez no século 19, em 1870, quando conquistou uma medalha de ouro em um importante concurso na França. Mas ele só começou a se tornar a estrela que é hoje a partir da safra de 1945, tida como excepcional. Depois dela, muitas outras fizeram história. 

Château Petrus

O nome Petrus é uma homenagem a São Pedro, que estampa o rótulo. O château pertencia à família Arnaud até o século 19. No comecinho do século 20, ações da vinícola foram colocadas à venda. Uma parte delas foi comprada por madame Loubat que incitou Jean-Pierre Moueix, um conhecido comerciante de vinhos da região, a comercializar os exemplares, que acabou se tornando acionista do château também. 

Ele enviou os vinhos para a Casa Branca, nos Estados Unidos, e conquistou o paladar de ninguém menos que John Kennedy, o então presidente americano. Em 1960, a madame Loubat faleceu e dois sobrinhos herdaram a vinícola. Jean-Pierre Moueix comprou a parte de um deles e passou a dividir a posse do château com Lily Lacoste, sobrinha de madame Loubat. Em 1969, ele adquirou todas as ações e se tornou o único proprietário.

Até 2018, quando vendeu 20% da vinícola para Alejandro Santo Domingo, CEO da cervejaria colombiana Bavaria. Petrus é um château fora dos moldes clássicos de Bordeaux, discreto e modesto, com uma média baixa de produção, cerca de 32 mil garrafas ao ano. Contudo, seu vinho é um dos mais poderosos e caros do planeta. 

Por que o Petrus é tão especial?

A resposta é o terroir e os cuidados com o vinhedo. O solo é composto por um tipo de argila azul rica em ferro que confere características únicas à uva Merlot. As videiras são velhas, de 40 a 60 anos, e as podas são realizadas para controlar o rendimento. Cada etapa da produção é monitorada por uma equipe especializada. Até helicópteros já foram usados para sobrevoar o vinhedo e secas as uvas na época da colheita.  

Agora é usado um maquinário enorme que funciona como um secador, a fim de eliminar as gotas de orvalho das uvas. Lampiões a óleo aquecem as videiras durante a noite, para evitar  que elas congelem em baixas temperaturas. Perto dos cuidados minuciosos com o cultivo, a vinificação é simples, sendo a mesma desde o século 19. 

São usados tanques de concreto para a fermentação. Depois disso, o vinho amadurece de 22 a 28 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso. Dependendo de como foi a safra, é acrescentada uma pequena parcela de Cabernet Franc ao Petrus. 

O Petrus se tornou o mais buscados em leilões mundo afora, sendo o queridinho dos investidores. Extremamente longevo, é uma bebida que atinge o apogeu depois de descansar por, pelo menos, 10 anos na garrafa. Em safras excepcionais, ele pode chegar no auge em 30 anos. Quase uma divindade em forma de vinho!

Confira os vinhos premiados disponíveis para compra:

vinho
Brasil
Região: Serra do Sudeste
2010 / 750 ml / TINTO
Lidio Carraro Grande Vindima Tannat 2010
R$ 485,88
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vinho
Chile
Região: Valle del Maipo
2015 / 750 ml / TINTO
Echeverria Quasar Wines Limited Edition Syrah 2015
R$ 257,65
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