/Por Ana Beatriz Miranda

Um bom vinho sozinho já proporciona uma experiência incrível. Mas combiná-lo com comida instiga ainda mais nossos sentidos. Quando o assunto é harmonização, há alguns caminhos que se pode seguir. Embora haja convenções, vale lembrar que não existe regra fixa. Cada paladar é único e o mais importante é fazer o que nos traz prazer.

Afinidade ou contraste

As duas principais maneiras de combinar vinho e comida são por afinidade e por contraste. A primeira é mais intuitiva e fácil de fazer, enquanto a segunda é mais desafiadora e surpreendente.  

Harmonização por afinidade

O que se escolhe primeiro: o vinho ou a comida? Tanto faz. O importante é levar em consideração os ingredientes e a forma de preparação do prato, seja escolhendo o rótulo antes ou depois. Para receitas mais leves, com poucos ingredientes e temperos, o vinho deve ser também mais sutil. A ideia é que os aromas e os sabores se complementem e não se sobreponham. 

Na harmonização por afinidade, você deve combinar características como acidez, doçura, mineralidade e estrutura. Pense no modo de preparo da receita, as formas de cocção e também na essência do vinho. Se passou ou não por barricas de carvalho, o tempo de amadurecimento, o método de elaboração, as uvas. 

Harmonização por contraste

Esse tipo de harmonização é mais difícil de fazer, mas promete sensações para lá de especiais. Ousadia é a palavra-chave aqui. Combinar por contraste segue o princípio oposto da afinidade: ao invés de harmonizar por características semelhantes, a combinação é feita por extremos

Uma receita muito salgada com um vinho doce. Um prato untuoso com um exemplar com alta acidez. O importante é contrapor os elementos marcantes da comida e da bebida, alcançando um equilíbrio curioso de aromas e sabores. Vale soltar a imaginação e testar combinações inusitadas. Ir além do óbvio no mundo do vinho pode nos levar a possibilidades inesquecíveis. 

Harmonização por tradição

Sabe aquela história de combinar tinto com carne vermelha e branco com peixe? Ela vem da harmonização por tradição. O tipo de combinação testada e comprovada, que simplesmente funciona. Tanto por afinidade quanto por contraste.

Chablis e ostras por semelhança, ambos minerais, Sauternes e foie gras por contraste, doce e salgado, vinho late harvest e queijos azuis por contraste também, Malbec com chorizo argentino por afinidade. Saber algumas dessas clássicas harmonizações é um ótimo caminho para combinar comida e vinho. 

Harmonização regional

A harmonização regional não deixa de ser tradicional. É aquela que combina receitas locais com os vinhos elaborados em determinada região. Chianti com massas à base de molho de tomate, boeuf bourguignon com Pinot Noir da Borgonha, cordeiro com um tinto de Bordeaux, por exemplo, são todas harmonizações certeiras e deliciosas.